domingo, 29 de março de 2020

ACCUNHA LIVROS - APRESENTAÇÃO




ACCUNHA LIVROS


APRESENTAÇÃO
            Este blog nasceu do desejo de viabilizar gratuitamente os livros de minha autoria para aqueles leitores de têm disponibilidade para leituras digitais no formato PDF.
            Gostaria de negociá-los na forma impressa, mas falta-me recurso para tal. Sendo assim decidi criar esse blog, deixando a critério dos leitores o pagamento pelo arquivo disponibilizado.
            Como funcionará? O leitor poderá baixar o arquivo gratuitamente. Depois que realizar a leitura terá duas opções a escolher:
            1) Se gostou do livro: poderá fazer um depósito nos valores de R$ 5,00, R$ 10,00 ou R$15,00. Para tanto, bastará enviar mensagem para o whatsapp +551195836-3769 que a conta a ser depositada será informada.
            2) Se não gostou do livro: não terá nenhum compromisso financeiro para com o autor.
            Importante salientar que todos os títulos que serão disponibilizados possuem Registro de Direitos autorais.
            Lembrem-se: Plágio é crime. Por isso baixe livremente os livros que desejar e quando mencionar algum texto neles contido, não esqueça de informar a fonte de onde foram tirados.
            Antonio Carlos da Cunha

Conhecendo o autor e sua trajetória literária
            Sou paulistano, nascido em 12 de junho de 1957, casado, pai de três filhos biológicos e um de criação, avô de oito netos que completam minha alegria e vontade de viver. Estudei até o terceiro ano do curso de Direito e em 1997, cheguei ao Bacharelado em Teologia em um renomado Seminário Batista. Por quase dezoito anos congreguei em uma igreja Batista e há dois anos sou membro da IMAFE – Vila Maria – Ministério Pescador de Almas.

            Desde a infância dividi minha paixão entre o futebol e a leitura. Quando criança preferia ganhar livros, enciclopédias e dicionários ao invés de brinquedos. Peguei gosto pela escrita aos nove anos de idade, devido a forte “influência” por parte de minhas professoras na época, que exigiam que seus alunos escrevessem em torno de 300 redações durante as férias escolares. Quando adolescente, aos 14 anos, apreciava Khalil Gibran e livros de filosofia clássica, como os de Platão e Sócrates. Depois dos 20 anos, lia tantos livros que não tinha mais lugar para guardá-los em casa e passei a frequentar a biblioteca municipal. Sempre acreditei que a cultura é o único bem que nunca poderá ser roubado de seu possuidor. Sou assumidamente um defensor da importância do conhecimento na vida do homem, por isso procuro escrever textos inspiradores, voltados para o fortalecimento emocional e espiritual das pessoas, escritos esses que têm como principal objetivo semear a Palavra de Deus de forma clara entre os leitores e transmitir para estes a certeza de que somente há salvação em Jesus Cristo e que o caminho do amor ao próximo é sempre a melhor escolha enquanto estivermos neste mundo.
            Por volta de 2009 comecei a escrever em Blogs e posteriormente reuni os textos em livros que eram distribuídos gratuitamente em formato PDF. Foi nesta época que criei o Blog Procurando os Perdidos.

Livros concluídos:
  • Aprendendo com os erros alheios – 105 páginas – Devocional
  • Às margens do Sena – A irresistível força do amor! – 284 páginas – Romance
  • Ciúme, esse mal tem cura – 111 páginas – Devocional
  • Evangelismo. O amor de Deus em movimento – 64 páginas – Devocional
  • Jacó, o exemplo da Graça – 100 páginas – Devocional
  • Jejum. Oração sem palavras – 37 páginas – Devocional
  • Na Dimensão do Espírito – Volume I – 296 páginas – Devocional
  • Não tem mais jeito! – 36 páginas – Devocional
  • Reencarnação. Farsa ou realidade? – 307 páginas – Teológico

Livros em fase de desenvolvimento/revisão:
  • Falando de Amor – Poesias
  • Feridas da Alma – Romance
  • Janelas da Alma – Diálogos de fé! – Romance Teológico
  • Janelas do Destino - Romance
  • Os filhos de Anita – Romance

            A seguir, destaco minha posição acerca de temas relacionados ao mercado literário nacional. Posições que foram abordadas em uma entrevista concedida à Escritora Tereza Reche em 2016 por ocasião de um convite que recebi e recusei para fazer parte de uma Academia de Letras de uma cidade do interior paulista. Transcrevo-as aqui por ainda ter o mesmo posicionamento.

            Respeito pelo leitor
            Sou avesso aos extremos, mas infelizmente em alguns casos, parece que os desejos do lucro e de projeção dos autores acabam gerando obras que deixam de lado o ser humano. Não existe o desejo de fazê-lo refletir sobre o mundo e as pessoas que o cercam, existe apenas o desejo consumista de entreter sem instruir e com isso a figura do “leitor” continua sendo colocada em segundo plano nas reflexões literárias.

            Autopublicação e Publicações Virtuais
            Embora prefira textos impressos, acredito que as publicações virtuais são benéficas, pois oferecem a preços convidativos obras que se impressas poderiam inviabilizar a comercialização para algumas camadas da população. Tendo-se em vista a dificuldade em se publicar um título através de uma Editora, a autopublicação é uma alternativa. O ideal seria que todos tivessem as mesmas possibilidades junto aos editores. Infelizmente, essa ainda é uma realidade muito distante. Talvez a criação de uma Associação de Escritores, onde os membros contribuíssem mensalmente e a cada semestre um ou mais autores fossem sorteados para terem um título publicado com as despesas pagas pela Associação seria uma alternativa.

            Papel social do escritor
            Como escritores somos formadores de opinião, por isso somos responsáveis pelos conceitos que formulamos, pelas ideias que disseminamos, pelas bandeiras que hasteamos. Sendo assim, o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade deve ser de responsabilidade.

            Escrita ou Vendas?         
            Atualmente, diante do que presenciamos no mercado literário, se tivéssemos que escolher entre escrita ou vendas para defini-lo, certamente o substantivo feminino que mais se encaixa é Vendas. Obviamente, sem generalizar, editores e escritores estão mais preocupados em produzir obras que gerem retorno financeiro em detrimento daquelas que produzam mudanças sadias na sociedade e na mente do leitor, fazendo-o rever conceitos e estabelecer padrões éticos e morais de comportamento. Na visão mercadológica, se o que dá retorno no momento são os "vampiros" e "zumbis", vamos massificar o leitor com esses temas. Infelizmente esse parece ser o pensamento dominante nos últimos anos.
            Partindo-se desta premissa e levando-se em conta que os “melhores e mais vendidos” no ranking literário, via de regra estão nas mãos das grandes Editoras e ocupam espaços “privilegiados” nas Livrarias (a preços nada convidativos para os pequenos), acredito que são mais produto de marketing envolvendo seus autores do que propriamente pela qualidade dos textos. Desculpe-me se pareço extremamente crítico nesse sentido, mas é o que vemos todos os dias: os mesmos autores, as mesmas editoras, os mais vendidos nas mesmas Livrarias e aí por diante.
            Acredito que o melhor critério é o da inspiração associada à responsabilidade dos textos. Mesmo obras de ficção podem conter informações que produzam nos leitores o desejo de alterar o rumo das coisas que o cercam, de estabelecer padrões que colaborem na construção de um mundo melhor.

            Difusão cultural
            Nosso país é composto por várias etnias; poucas são as famílias consideradas nativas, pois a maioria ainda está na 2ª ou 3ª geração de imigrantes que aportaram por aqui na esperança de viverem em paz e alcançarem prosperidade e segurança para seus entes queridos. Essa mistura saudável torna nosso país um celeiro cultural de proporções gigantescas, mas nossos governantes não buscam valorizar essa miscigenação, ao contrário, preferem oferecer uma educação de péssima qualidade, justamente nos anos mais férteis, que englobam a fase cognitiva das crianças e a sua adolescência. Como não se pode reprovar o aluno negligente e desatento, incentivamos a falta de interesse com a aprovação oficializada. Isso gerou um problema crônico: os professores (nem todos é claro) fingem que ensinam e os alunos (a maioria) fingem que aprendem. Consequentemente, poucos são os que apreciam a leitura e a pesquisa. Para amenizar essa situação seria necessária uma total reformulação educacional em todas as esferas. O ideal seria uma total conscientização da população pela necessidade de uma educação de qualidade, mas isso, nos moldes que vemos hoje parece ser apenas um pensamento distante ou um desejo utópico.

            Critérios adotados           
            Como autor, ao criar um novo livro, procuro sempre estabelecer um equilíbrio entre a escrita reacional e a inspirativa. A inspiração nos faz flutuar num universo onde tudo é possível, por isso prefiro colocar uma "pitada" de racionalidade para manter o leitor com os pés na realidade.
            Por outro lado, como leitor jamais leria uma obra plagiada. Vejo obras sendo "escritas" por autores diferentes, mas ao ler as sinopses, percebo que são cópias umas das outras, muda-se apenas os nomes dos personagens, mas começo, meio e fim são exatamente iguais.

            Por que oferecer livros gratuitamente?
            Acredito firmemente que existam autores que escrevem por amor. Considero-me um deles. Nem todos escrevem para enriquecer, muitos o fazem pelo simples prazer de escrever e de ver a satisfação de seus leitores. O reconhecimento pelo seu trabalho os motiva a seguir em frente, produzindo obras de qualidade. Para eles, a recompensa financeira não vem em primeiro lugar, pode ser apenas a consequência natural que coroará a sua dedicação e entrega na elaboração dos textos.

            Em minha humilde opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser não vendem no mercado literário porque talvez falem mais de perto à realidade e grande parte dos leitores não está interessada nela. Preferem aquelas que apenas os distraia, os faça distanciarem-se dela. Querem apenas entretenimento e não informação.

            Novos rumos?      
            Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas e em razão disso vemos que a sociedade atual está mais "antenada do que intelectualizada". Com a globalização e as facilidades da Internet as pessoas acabam tendo um conhecimento fragmentado de quase tudo. Conhecem o macro, mas poucos têm condições de estabelecer um diálogo sobre o micro, sobre os detalhes. Vivemos em meio à geração do "copia e cola". Um dia depois de feita uma pesquisa, o "pesquisador" não consegue simplesmente explicar sobre o que "pesquisou". Lamentável, mas real!

            Mensagem aos leitores e colegas autores
            Queridos leitores, vivemos dias difíceis, onde a verdade parece ser produto de ficção e a corrupção e a inversão de valores parecem ser os critérios que devem moldar esta e as próximas gerações, mas isso, de forma alguma deve nos impedir de dizer a verdade e de promover o amor e a cooperação entre os homens. Custe o que custar, seja alguém compromissado com a verdade; mesmo que tenha que remar contra a maré permaneça fiel à sua consciência. Um mundo melhor, mais unido, feliz e solidário começa em nós!
            Colegas escritores, particularmente sempre preferi escrever sobre aquilo em que acredito, procurando deixar uma mensagem de otimismo e confiança em meus leitores, Não importa o gênero escolhido, o importante é saber que somos responsáveis pelo que compartilhamos com nossos leitores. Um texto bem elaborado pode transformar vidas, alterar situações adversas e resgatar a alegria e a dignidade onde muitas vezes havia apenas tristeza e desilusão. Pensemos nisso todas as vezes em que iniciarmos um novo trabalho.
            Antonio Carlos da Cunha






sexta-feira, 13 de março de 2020

Conselhos para os preguiçosos



Conselhos para os preguiçosos.

Por Charles H. Spurgeon

Dar conselho aos ociosos é tão inútil quanto despejar água em uma peneira; do mesmo modo, tentar aperfeiçoá-los é como tentar engordar um galgo. O Antigo Testamento já nos dizia para amassar nosso pão com água, se amassarmos uma ou duas cascas duras nesses charcos estagnados sempre nos restará ainda um consolo: se as pessoas preguiçosas não se tornam melhores quando semeamos bom senso, não tornamos piores por tentar adverti-las e não colhermos nada. Repreender preguiçosos é como ter um pedaço duro de solo para arar em que, com certeza, a colheita será menos farta. Mas se apenas a terra boa tivesse de ser cultivada, os lavradores poderiam se afastar do trabalho, e nós só teríamos de pôr o arado no sulco. Homens preguiçosos são muito comuns e crescem sem que seja necessário cultivá-los, mas a quantidade de sagacidade que existe em muitos deles seria insuficiente para pagar a aração: não é necessário nada para provar isso além do nome e do caráter deles, se não são tolos, são preguiçosos, e conforme diz Salomão: "O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso", já aos olhos de todos os outros, sua tolice é tão clara como o sol no céu. Se os ataco duramente, ao falar com eles, é porque sei que podem aguentar, pois se eles estivessem caídos no chão do celeiro, eu precisaria surrá-los muito antes de conseguir tirá-los da palha, e nem mesmo a debulhadora a vapor conseguiria fazer isso. Ela os mataria antes de conseguir levantá-los da palha, pois a preguiça está nos ossos de algumas pessoas e mostra-se em sua carne ociosa, faça você o que fizer com elas.

            Bem, por isso, antes de tudo me parece que pessoas preguiçosas deveriam obrigatoriamente ter um grande espelho pendurado onde fossem obrigadas a se ver, com certeza, no final, se os olhos delas forem como os meus, não suportariam olhar para si mesmas por muito tempo ou com frequência. A visão mais horrível do mundo é a de um desses vadios autênticos que dificilmente seguraria sua vasilha de comida se chovesse mingau de aveia e, com certeza, jamais seguraria um pote em que coubesse mais comida do que a necessária para si mesmo. Talvez, se a chuva fosse de cerveja, ele conseguisse despertar um pouco, mas acabaria de encher o copo depois. Provérbios descreve esse homem: "O preguiçoso põe a mão no prato, e não se dá ao trabalho de levá-la à boca". Acho que esse tipo de homem deveria ser tratado como os zangões que as abelhas expulsam das colmeias. Todo homem deve ter paciência e piedade pela pobreza, mas para a preguiça seria melhor um chicote comprido ou uma volta pela roda do moinho. Esse poderia ser um purgante saudável para todos os preguiçosos. Mas seria muito difícil para alguns deles conseguir sua dose completa de medicamento, pois eles nasceram ricos, mas a riqueza não faz nada sozinha, ela precisa que alguém lhe empreste a mão. Como diz o velho ditado: "O preguiçoso é como o cão que encosta a cabeça na parede para latir" ou como as ovelhas preguiçosas para quem é muito trabalhoso carregar a própria lã. Seria muito útil se pudessem se ver, mas talvez fosse muito trabalho abrirem os olhos, mesmo que segurassem os óculos para eles.

            Tudo no mundo tem alguma utilidade, mas o doutor em teologia, o filósofo ou a coruja sábia, em seu campanário, quebrariam a cabeça para descrever a utilidade da preguiça, ela me parece ser um vento mau que não sopra nada de bom para ninguém, um tipo de lodo onde as enguias não se reproduzem, um fosso sujo que não consegue alimentar nem mesmo um sapo. Peneire um preguiçoso, grão a grão, e não encontra nada de bom. Tenho ouvido pessoas dizerem que é melhor não fazer nada que promover a desordem, mas não estou bem certo disso, essas palavras brilham, mas não acredito que sejam ouro. É uma preguiça maléfica apesar da pitada de louvor; digo que a preguiça é má, e é de todo má. Por sorte, um homem que promove desordem é um pardal apanhando milho, mas um homem preguiçoso é um pardal sentado em um ninho cheio de ovos, que se transformarão em pardais e, em breve, causarão um monte de feridas. Não é necessário que me digam, tenho certeza – a erva daninha mais ordinária da terra não cresce na mente daqueles que estão ocupados com maldades, mas nas inquietações impuras criadas pela imaginação dos homens preguiçosos em que o mal se esconde sem ser visto, como a velha serpente, que ele realmente é. Não gosto que os nossos jovens se envolvam em desordem, eu preferiria vê-los com lodo até o pescoço que saracoteando por aí sem nada para fazer. Se hoje o mal de não fazer nada parece menor, amanhã, vocês descobrirão que ele é maior; o diabo põe carvão no fogo, e, assim, o fogo não arde, mas em função disso será um fogo muito maior no final. Preguiçosos, vocês têm de ser seus próprios trombeteiros, pois mais ninguém pode achar algo de bom em vocês para louvar. Eu gostaria de ver você através de um telescópio, pois certamente isso implicaria que você estaria muito distante; entretanto, nem mesmo os maiores óculos da igreja conseguiriam ver algo de valor em você. A respeito das toupeiras, dos ratos e das doninhas ainda há algo para se falar, mesmo que a visão deles pregados em nosso velho celeiro seja bonita; quanto a vocês, só serão úteis na sepultura ao ajudarem a aumentar o cemitério, mas eu não posso entoar uma canção em seu favor melhor que este verso, conforme disse o sacristão da igreja, pecado da minha própria composição:
Um preguiçoso desajeitado, bom para nada. Pecaminoso por dentro e esfarrapado por fora. Quem se importa em tê-lo por perto? Expulsem-no! Expulsem-no!
"Como o vinagre para os dentes, e a fumaça para os olhos", assim é o preguiçoso para o homem que sua para ganhar a vida honestamente, enquanto esses indivíduos deixam o mato crescer até os tornozelos e, como diz a Bíblia, atravancam a terra.

            O homem que perde seu tempo e sua força com a indolência se oferece como alvo para o diabo, que é um atirador extraordinariamente bom e perfurará o preguiçoso com seus tiros; em outras palavras, o homem preguiçoso atenta o diabo a tentá-los. Aquele que joga quando deveria trabalhar enfeitiça um espírito do mal para ser seu parceiro; e aquele que nem trabalha nem joga é uma oficina à disposição de Satanás. Se o diabo capturasse um homem preguiçoso, ele o poria para trabalhar, faria com que ele encontrasse ferramentas e, depois de muito tempo, pagaria um salário a ele. Não é daí que vem a embriaguez que enchem nossas cidades e vilas de miséria? A preguiça é a chave para a penúria e a raiz de todo o mal. O homem que não tem estomago para trabalhar tem dois para comer e beber. Nas horas de preguiça, aquele pequeno buraco logo abaixo do nariz engole o dinheiro que colocaria agasalhos nos ombros das crianças e pão na mesa dos casebres. A palavra de Deus afirma: "Os bêbados e os glutões se empobrecerão", e o versículo mostra a ligação entre eles ao concluir: "E a sonolência os vestirá de trapos".Sei disso do mesmo modo que sei que o musgo cresce nos telhados velhos e que o hábito de se embriagar brota das horas de preguiça. Eu aprecio o lazer quando posso usufruir dele, mas isso é completamente diferente; uma coisa é pau, a outra é pedra.

            Gente preguiçosa não sabe o que é lazer; está sempre com pressa e bagunçado, pois como negligencia o trabalho no momento certo sempre tem muito o que fazer. Ficar na indolência, hora após hora, sem fazer nada é o mesmo que fazer buracos na cerca para deixar os porcos passarem, e eles passarão – não se engane, pois os buracos que farão ninguém vê, exceto aqueles que cuidam do jardim. O próprio Senhor Jesus nos disse que enquanto os homens dormem, o inimigo semeia a praga; isso está muito certo, pois o mal entra no coração muito mais frequentemente pela porta da preguiça que por qualquer outra. Nosso velho pastor costumava dizer: "Um preguiçoso é a melhor matéria prima para o diabo, ele pode criar qualquer coisa desde um ladrão até um assassino". Não sou o único a condenar os preguiçosos, certa vez, eu ia entregar ao nosso pastor a longa lista dos pecados de uma das pessoas a respeito de quem ele havia me questionado, eu comecei dizendo: "Ela é terrivelmente preguiçosa". No mesmo momento, ele disse: "É o suficiente; todos os tipos de pecados estão nesse, ele é o sinal para conhecer um pecador cheio de pecados".

            Meu conselho para os jovens é: "Saiam do caminho da preguiça, pois vocês podem pegar essa doença e nunca se livrar dela". Tenho sempre medo de que eles aprendam o caminho da preguiça e fico muito atento para perceber qualquer coisa desse tipo logo no início; pois como vocês sabem, é melhor matar o leão enquanto é filhote.

            Certamente, nossos filhos carregam nossa natureza negativa neles, por isso podemos vê-la crescendo como erva daninha em um jardim. Quem consegue tirar ao limpo do que não é limpo? O ganso selvagem não choca o ovo quebrado. Nossos garotos saem para a vida apenas com seus aspectos negativos, a não ser que, desde o início, tornemos nosso lar um local tranquilo e bastante atraente para eles e os treinemos a odiar a companhia dos indolentes. Não os deixe ir ao bar "Rosa e a Coroa", faça-os, enquanto são jovens, aprender a ganhar uma coroa e cultivar as rosas no jardim de seus pais. Criem os jovens como abelhas, e eles não serão zangões, vadios.

            Atualmente, há muito a se dizer em relação a mestres e mestras incompetentes. Ouso dizer que há algo de bom nisso, pois, há incompetentes de todos os tipos hoje, como sempre houve. Em outra ocasião, se me permitirem, darei uma palavra sobre o assunto; mas tenho certeza de que há muito espaço para censura, mesmo entre as pessoas trabalhadoras, especialmente em relação à preguiça. Vocês sabem que somos obrigados a arar com o gado que temos à disposição; mas quando tenho de trabalhar com certos homens, preferiria dirigir uma equipe de lesmas ou ir à caça de coelhos com um furão morto. Porque de imediato seria mais fácil tirar leite de pedra ou suco de cortiça do que conseguir resultados com alguns deles; mesmo porque eles estão sempre falando dos seus direitos. Eu gostaria que eles examinassem os próprios erros, em vez de se encostarem às alças do arado. Afinal, preguiçosos e dorminhocos não são trabalhadores, não passam de porcos, bois ou cardos em macieiras. Nenhum deles faz parte do grupo de caçadores que se veste com paletós vermelhos, e nenhum deles é trabalhador ou se denomina assim. Às vezes, eu gostaria de saber porque alguns de nossos empregadores mantêm afinal tantos gatos que não caçam ratos. Seria mais fácil eu deixar minhas moedas caírem em um poço que pagar para pessoas que apenas fingem trabalhar. Vê-las todos os dias se arrastando sobre uma folha de repolho, é algo que apenas nos irrita e faz nossa carne ferver. Viva e deixe viver, digo eu, mas não inclua os preguiçosos nessa licença. "Não dê comida aos que não trabalham".

            Talvez seja o momento adequado para dizer que algumas pessoas das classes mais altas, como são chamados, dão um exemplo vergonhoso em relação a isso, alguns abastados são quase tão preguiçosos quanto ricos, e, muitas vezes, até mais. As ratazanas dormem por tanto tempo e tão ruidosamente quanto os ratinhos. A maioria dos párocos compra ou encomenda um sermão para evitar o trabalho de pensar. Isso não é uma preguiça abominável? Eles zombam dos que fazem discursos afetados, mas não ficam envergonhados ao ficar em pé para ler um sermão de outra pessoa como se fosse seu. Muitos de nossos fazendeiros não têm mais nada para fazer além de repartir o cabelo ao meio; e, em Londres, conforme me disseram, muitos dos nobres, tanto senhoras como cavalheiros, não têm ocupação melhor que matar o tempo. Atualmente, diz-se que quanto mais alto o salto, maior o tombo; da mesma forma, quanto mais importante é a pessoa, mais sua preguiça chama atenção, e mais ela deve se envergonhar dela. Não digo que elas têm obrigação de arar, mas que têm o dever de fazer alguma coisa em relação à situação, além de serem como as lagartas no repolho comem a melhor parte; ou como as borboletas que se exibem, mas não produzem mel. Não posso me irritar com essas pessoas por qualquer coisa, pois sinto pena delas, quando penso nas regras de moda estúpidas que são obrigadas a obedecer, e na vaidade com que prolongam seus dias. Eu preferiria antes vergar minhas costas com o trabalho pesado do que ser um rapaz elegante com nada para fazer além de me olhar no espelho e ver em mim mesmo um sujeito que nunca pôs uma simples batata no pote da nação, mas apenas tirou muitas. Antes despencar das montanhas de Surrey, esgotado como a velha égua marrom de meu mestre, que comer pão e queijo sem ter trabalhado para isso; é melhor ter uma morte honrosa que levar uma vida imprestável. Seria melhor entrar em meu caixão que ser um morto vivo, um homem cuja vida é uma folha em branco.

            De qualquer modo, não é fácil que os preguiçosos passem impunes por todos seus esquemas porque, no fim, sempre carregam a maior parte das penas. Elas não consertam o telhado, portanto têm de construir uma nova cabana; não põem o cavalo na carroça, por isso, terão elas mesmas de puxar a carroça. Se fossem espertas, executariam bem seu trabalho, a fim de não fazê-lo duas vezes, e se esforçariam trabalhar bem enquanto estão na lida para tirar a pendência da frente. Meu conselho é: se você não gosta de trabalho pesado, comece a trabalhar com garra, execute-o e goze seu tempo de descanso.

            Eu gostaria que todas as pessoas religiosas pensassem a respeito desse assunto, pois alguns professores são surpreendentemente preguiçosos e, com isso, fornecem um material lamentável para a língua dos ímpios.

            Penso que um lavrador religioso deve ser o melhor homem no campo, e não deve permitir que nenhum grupo o derrote. Quando estamos trabalhando, temos o dever de estar com a atenção no trabalho e não podemos parar para conversar, mesmo que a conversa seja sobre religião. Do contrário, não apenas roubamos de nosso empregador o nosso próprio tempo, como também o tempo dos cavalos. Eu costumo ouvir pessoas dizerem: "Nunca pare o arado para matar um rato", da mesma forma, é uma tolice parar para bater papo; além disso, um homem que desperdiça o tempo, quando o patrão está ausente é um bajulador, o que considero o oposto de ser cristão. Se alguns dos membros de nossa congregação fossem um pouco mais ágeis com os braços e as pernas quando trabalham e um pouco menos ativos com as línguas, falariam mais sobre religião do que falam agora. O povo diz que o maior enganador é o mais devoto, eu fico constrangido em afirmar que um dos maiores preguiçosos que conheço é um homem que se declara abertamente um falante. Seu jardim está tão coberto de ervas daninhas que por pouco não tomo a iniciativa de capiná-lo para ele. Se ele fosse mais jovem, conversaria com ele a respeito disso para livrar nosso grupo da vergonha que ele acarreta sobre nós e a fim de orientá-lo melhor, mas quem pode ser professor de uma criança de sessenta anos? Ele é um espinho constante para o nosso amável pastor, que anda muito aflito com isso e diz muitas vezes que tem vontade de ir para outro lugar porque não consegue lidar com essa conduta; mas eu digo-lhe que em qualquer lugar que viva sempre encontrará um arbusto espinhoso perto de sua porta, e será uma benção se não encontrar dois.

            Contudo, eu gostaria que todos os cristãos fossem diligentes, pois a religião jamais teve por desígnio que nos tornássemos preguiçosos. Jesus foi um grande trabalhador e seus discípulos não tinham medo de trabalhar duro.

            Da mesma forma, tem muito disso no servir ao Senhor com o coração frio e a alma preguiçosa, além de fazer a religião definhar. Os homens cavalgam quando caçam para ganhar algo, mas são lerdos quando estão a caminho do céu. Os pregadores continuam a vacilar e a falar de forma monótona, em uma verdadeira lenga-lenga, e o povo começa a bocejar, cruzar os braços e a dizer que, por isso, Deus está recusando a bênção. Todo preguiçoso maldiz sua sorte quando se vê incluído grupo dos esfarrapados; e algumas igrejas aprenderam esse mesmo artifício pernicioso. Eu acredito que quando Paulo planta, e Apolo rega, Deus faz crescer, e não tenho paciência com os que põem a culpa em Deus, quando eles são os culpados. Agora esgotei todos os meus recursos. Receio ter falado em vão, mas fiz o melhor que pude, nem um rei poderia fazer mais. Uma formiga nunca produzirá mel se não trabalhar com o coração, e eu jamais exporei meus pensamentos de forma tão bela como alguns escrevem um livro de sucesso; mas a verdade é a verdade mesmo vestida de chita e, assim, chego ao fim de toda essa história.
Extraído do livro “Sabedoria Bíblica – Conselhos simples para pessoas simples” de autoria de Charles H. Spurgeon

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...