sábado, 17 de novembro de 2018

O INFINITO AMOR DE DEUS




Vivemos dias angustiantes. As pessoas se matam como se fossem animais famintos que tentam sobreviver a todo custo.
A violência está por toda parte e parece que a novidade para a vida do homem é o desejo de ver seu semelhante sofrer, não importando por quais meios. As pessoas se perseguem mutuamente e, para muitos, se os demais não pensarem e agirem como eles, deverão ser eliminados.
O pensamento de alguns é: “Pessoas que não têm o mesmo padrão social que nós, estão atrapalhando a nossa ascensão, o nosso sucesso e alguma coisa precisa ser feita para tirá-las do nosso caminho...”.
Muitos têm esse pensamento e alguns, mais incisivos em sua perseguição, se acham no direito de até colocar fogo em mendigos, que, no seu entendimento, cometeram o “pecado” de perderem tudo: emprego, família, dignidade e agora a própria vida!
Os critérios que muitas vezes usamos para manifestar o nosso senso de justiça é estranho e em muitos casos, vergonhoso e injusto.
Quando colocamos os nossos amigos e parentes no banco dos réus, somos tolerantes e benevolentes, mesmo que tenham prejudicado muitas pessoas, e muito embora sejam vistos pelo restante da sociedade como monstros, para nós são uns amores.
Quando, porém, julgamos aqueles que nos prejudicaram, a nossa atitude muda radicalmente e se alguém tentar defendê-los, diremos que o fazem porque não estavam na nossa pele.
Olhando para a vida do rei Manassés através do capítulo 21 do segundo livro dos Reis, podemos perceber o que acontece com um homem que se deixa envolver nas armadilhas do orgulho e da prepotência.
Diz o texto:
“Tinha Manassés doze anos de idade quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Hefzibá. Fez ele o que era mau perante o SENHOR, segundo as abominações dos gentios que o SENHOR expulsara de suas possessões, de diante dos filhos de Israel. Pois tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia destruído (...) E queimou a seu filho como sacrifício (...) Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo (...) 2Reis 21.1-17)
Talvez, examinando somente este capítulo, nos precipitemos a dizer que o velho ditado popular: “Tal pai, tal filho!”, parecia ter sido elaborado para ele.
Porém, se olharmos para a vida de Ezequias, o pai de Manassés, encontraremos o oposto da conduta do filho.
O relato bíblico diz que o rei Ezequias foi tão temente a Deus que não houve antes nem depois dele um rei com tanto temor a Deus em Judá.
Seu nome significa: “Meu deleite está nele”.

Mas apesar das preocupações dos pais em encaminhá-lo segundo a vontade de Deus, o garoto Manassés, resolveu fazer jus ao seu nome que significa: “que faz esquecer”, nome que surgiu quando José disse antes do nascimento de seu filho Manassés “Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos, e de toda a casa de meu pai” (Gn 41.51).
Manassés fez tudo errado. Foi um dos piores reis e não somente de Judá, mas também o pior que os povos vizinhos já tinham visto.
Era um verdadeiro monstro em pele de gente.
Não bastasse a sua maldade, tornou-se ainda, devoto de deuses estranhos e fez passar o próprio filho pelo fogo, oferecendo-o a Moloque – um deus cananeu que exigia sacrifícios humanos – e diz o versículo 16 que Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, tanto que encheu Jerusalém de ponta a ponta com ele.
O que temos presenciado em chacinas nas ruas das grandes cidades e nos presídios do país podem ser considerados “insignificantes”, perto do que Manassés fez em Judá e região.

Segundo a nossa forma de julgamento, que fim mereceria o rei Manassés?

Para muitos, certamente, a morte seria pouco para ele.
Para outros, no entanto, deveria sentir na própria pele todo o sofrimento que infligira aos seus adversários e aos inocentes que padeceram em suas mãos ou ao seu comando, mas bem devagar... até não aguentar mais... e por fim deveria morrer, de preferência em uma cadeira elétrica.
Para alguns não bastaria apenas acabar com a vida de Manassés, seria necessário exterminar também toda a sua família: “Devíamos eliminar a “raça” dele da face da terra...”, diriam.
Para a felicidade de Manassés o julgamento de Deus não é igual ao nosso.
Será que um homem como ele poderia mudar...?  Ou “Pau que nasce torto morre torto”?
Miquéias 7.18 diz que não há Deus como o nosso Deus que perdoa as transgressões, não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
O poder de Deus muda a vida das pessoas
Falou o SENHOR a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos. (2 Crônicas 33.10)

Manassés era tão ruim que foi necessário algemá-lo, prendê-lo e levá-lo cativo para a Babilônia.
E foi ali, em meio a dores e tristezas, vendo todo o seu poder humano caindo por terra, que o monstro Manassés buscou a Deus e se transformou em um dos grandes exemplos de como Deus trabalha na vida do pecador arrependido.
Aquele homem arrogante e prepotente rendeu-se ao Poder Soberano de Deus, e na sua angústia clamou a Ele e humilhou-se na Sua presença.
A partir da experiência de vida de Manassés o que podemos esperar do infinito amor de Deus?

Deus abomina o pecado, mas ama o pecador.

Deus nos ama de uma forma que não podemos expressar com palavras do vocabulário humano.
Manassés foi um homem terrível, mas Deus lhe concedeu a oportunidade do arrependimento, assim como faz a cada um de nós.
Quantos de nós tem olhado para os “Manassés” de nossos dias com os olhos que Deus olharia?
Na maioria das vezes, temos verdadeira aversão até para chegar perto de mendigos que perambulam pelas ruas, imaginando que seremos assaltados ou agredidos por eles.
A Palavra de Deus nos ensina que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor e o povo que escolheu para a sua herança (Salmos 33.12).
Quando olhamos para o estado de podridão moral a que a nossa sociedade chegou, preferimos fechar os olhos, culpar os governantes e até mesmo os lideres religiosos, a irmos, nós mesmos, anunciar o amor de Deus e dar uma oportunidade para que Ele opere naquelas vidas que estão às margens da sociedade que julgamos correta, civilizada e “humana”.
É certo que o pecado faz separação entre Deus e os homens, pois Ele é Santo e espera que também sejamos santos (Lv 20.7), mas o amor de Deus espera sempre que O busquemos com sinceridade para sermos resgatados da nossa incorreta e superficial maneira de viver.
Deus permite que erremos para aprendermos.

A Bíblia nos ensina que “há caminhos que ao homem parecem direitos, mas no fim são caminhos de morte”. (Pv 16.25).
Quantos de nós temos certas atitudes que aos nossos olhos parecem corretas e nos conduzem a Deus e por mais que nossos amigos nos digam o contrário, permanecemos no erro e não queremos ouvir a ninguém?
Quantos líderes tem enganado o povo em nossos dias, com essa mensagem de prosperidade e de conquista, fazendo com que as pessoas se acheguem a Deus por interesses escusos, como se Ele fosse o “portador” de uma caixa registradora que se abre toda vez que vamos à Sua Presença para pedir-lhe algo?
Manassés era um rei terrível e os textos bíblicos relatam que não havia ninguém tão cruel como ele, e por mais que os profetas o alertassem, ele nunca os atendia. Foi necessário que ele passasse por inúmeras tribulações para que pudesse aprender a buscar a Deus com sinceridade.
O Desejo de Deus é de que todos nós sejamos felizes e que não tenhamos nenhum tipo de problema, mas quando nos afastamos dEle ficamos sujeitos às armadilhas que o mundo coloca em nosso caminho.
Muitas vezes, Deus permite que caiamos nessas armadilhas para aprendermos com elas.
Assim como existem muitas pessoas onde o arrependimento é pura fantasia ou demonstração exterior, existem também pessoas sinceras, que verdadeiramente se arrependeram de todos os erros que praticaram e tiveram suas vidas transformadas pelo poder de Deus.

Deus não despreza um coração arrependido.

Quando Manassés se viu sozinho, prisioneiro em Babilônia, lembrou-se da conduta de seu pai Ezequias e sinceramente se arrependeu e buscou a Deus.
Deus ouviu a sua oração e o fez voltar a Jerusalém.
Para demonstrar seu sincero arrependimento, Manassés restituiu o altar do Senhor e teve uma conduta diferente até o final de sua vida.
            Quando estivermos incorrendo em erro devemos rever nossa conduta e buscar a Deus com um coração sincero. Se assim o fizermos, Ele nos atenderá.
Davi disse que “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido” (Salmo 34.18).
Não importa o estado moral em que nos encontremos, o importante é reconhecer que estamos incorrendo em erro e tenhamos o firme desejo de mudar o nosso comportamento diante de Deus.
Manassés não apenas orou pedindo o livramento de Deus para si e para o povo, mas tomou a atitude do verdadeiro arrependido: mudou radicalmente a sua vida.
Quando fomos alcançados por Jesus éramos pecadores e muitos de nós éramos tão ruins quanto Manassés, mas Jesus nos transformou e nos transportou das trevas para o reino da sua maravilhosa luz ( 1Pedro 2.9).
Nunca menospreze a possibilidade de Deus trabalhar na vida das pessoas que consideramos ruins e impossíveis de mudanças.
Sempre haverá uma oportunidade para Deus manifestar o Seu infinito amor por nós. Por isso nunca menospreze a oportunidade que Deus te dá de anunciar acerca do Seu Amor àqueles que vivem, não somente às margens da sociedade, mas principalmente às margens do convívio de Deus.
Que o Eterno nos abençoe e nos dê forças para fazermos a Sua vontade: Fazer conhecido o Seu nome e seu Infinito amor por todos que criou.
Não há barreiras para o amor de Deus.      
Sempre juntos em Jesus.
A. Carlos
(Texto extraído do Livro “Na Dimensão do Espírito- Volume I” de autoria de Antonio Carlos da Cunha)