sexta-feira, 13 de março de 2020

Conselhos para os preguiçosos



Conselhos para os preguiçosos.

Por Charles H. Spurgeon

Dar conselho aos ociosos é tão inútil quanto despejar água em uma peneira; do mesmo modo, tentar aperfeiçoá-los é como tentar engordar um galgo. O Antigo Testamento já nos dizia para amassar nosso pão com água, se amassarmos uma ou duas cascas duras nesses charcos estagnados sempre nos restará ainda um consolo: se as pessoas preguiçosas não se tornam melhores quando semeamos bom senso, não tornamos piores por tentar adverti-las e não colhermos nada. Repreender preguiçosos é como ter um pedaço duro de solo para arar em que, com certeza, a colheita será menos farta. Mas se apenas a terra boa tivesse de ser cultivada, os lavradores poderiam se afastar do trabalho, e nós só teríamos de pôr o arado no sulco. Homens preguiçosos são muito comuns e crescem sem que seja necessário cultivá-los, mas a quantidade de sagacidade que existe em muitos deles seria insuficiente para pagar a aração: não é necessário nada para provar isso além do nome e do caráter deles, se não são tolos, são preguiçosos, e conforme diz Salomão: "O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso", já aos olhos de todos os outros, sua tolice é tão clara como o sol no céu. Se os ataco duramente, ao falar com eles, é porque sei que podem aguentar, pois se eles estivessem caídos no chão do celeiro, eu precisaria surrá-los muito antes de conseguir tirá-los da palha, e nem mesmo a debulhadora a vapor conseguiria fazer isso. Ela os mataria antes de conseguir levantá-los da palha, pois a preguiça está nos ossos de algumas pessoas e mostra-se em sua carne ociosa, faça você o que fizer com elas.

            Bem, por isso, antes de tudo me parece que pessoas preguiçosas deveriam obrigatoriamente ter um grande espelho pendurado onde fossem obrigadas a se ver, com certeza, no final, se os olhos delas forem como os meus, não suportariam olhar para si mesmas por muito tempo ou com frequência. A visão mais horrível do mundo é a de um desses vadios autênticos que dificilmente seguraria sua vasilha de comida se chovesse mingau de aveia e, com certeza, jamais seguraria um pote em que coubesse mais comida do que a necessária para si mesmo. Talvez, se a chuva fosse de cerveja, ele conseguisse despertar um pouco, mas acabaria de encher o copo depois. Provérbios descreve esse homem: "O preguiçoso põe a mão no prato, e não se dá ao trabalho de levá-la à boca". Acho que esse tipo de homem deveria ser tratado como os zangões que as abelhas expulsam das colmeias. Todo homem deve ter paciência e piedade pela pobreza, mas para a preguiça seria melhor um chicote comprido ou uma volta pela roda do moinho. Esse poderia ser um purgante saudável para todos os preguiçosos. Mas seria muito difícil para alguns deles conseguir sua dose completa de medicamento, pois eles nasceram ricos, mas a riqueza não faz nada sozinha, ela precisa que alguém lhe empreste a mão. Como diz o velho ditado: "O preguiçoso é como o cão que encosta a cabeça na parede para latir" ou como as ovelhas preguiçosas para quem é muito trabalhoso carregar a própria lã. Seria muito útil se pudessem se ver, mas talvez fosse muito trabalho abrirem os olhos, mesmo que segurassem os óculos para eles.

            Tudo no mundo tem alguma utilidade, mas o doutor em teologia, o filósofo ou a coruja sábia, em seu campanário, quebrariam a cabeça para descrever a utilidade da preguiça, ela me parece ser um vento mau que não sopra nada de bom para ninguém, um tipo de lodo onde as enguias não se reproduzem, um fosso sujo que não consegue alimentar nem mesmo um sapo. Peneire um preguiçoso, grão a grão, e não encontra nada de bom. Tenho ouvido pessoas dizerem que é melhor não fazer nada que promover a desordem, mas não estou bem certo disso, essas palavras brilham, mas não acredito que sejam ouro. É uma preguiça maléfica apesar da pitada de louvor; digo que a preguiça é má, e é de todo má. Por sorte, um homem que promove desordem é um pardal apanhando milho, mas um homem preguiçoso é um pardal sentado em um ninho cheio de ovos, que se transformarão em pardais e, em breve, causarão um monte de feridas. Não é necessário que me digam, tenho certeza – a erva daninha mais ordinária da terra não cresce na mente daqueles que estão ocupados com maldades, mas nas inquietações impuras criadas pela imaginação dos homens preguiçosos em que o mal se esconde sem ser visto, como a velha serpente, que ele realmente é. Não gosto que os nossos jovens se envolvam em desordem, eu preferiria vê-los com lodo até o pescoço que saracoteando por aí sem nada para fazer. Se hoje o mal de não fazer nada parece menor, amanhã, vocês descobrirão que ele é maior; o diabo põe carvão no fogo, e, assim, o fogo não arde, mas em função disso será um fogo muito maior no final. Preguiçosos, vocês têm de ser seus próprios trombeteiros, pois mais ninguém pode achar algo de bom em vocês para louvar. Eu gostaria de ver você através de um telescópio, pois certamente isso implicaria que você estaria muito distante; entretanto, nem mesmo os maiores óculos da igreja conseguiriam ver algo de valor em você. A respeito das toupeiras, dos ratos e das doninhas ainda há algo para se falar, mesmo que a visão deles pregados em nosso velho celeiro seja bonita; quanto a vocês, só serão úteis na sepultura ao ajudarem a aumentar o cemitério, mas eu não posso entoar uma canção em seu favor melhor que este verso, conforme disse o sacristão da igreja, pecado da minha própria composição:
Um preguiçoso desajeitado, bom para nada. Pecaminoso por dentro e esfarrapado por fora. Quem se importa em tê-lo por perto? Expulsem-no! Expulsem-no!
"Como o vinagre para os dentes, e a fumaça para os olhos", assim é o preguiçoso para o homem que sua para ganhar a vida honestamente, enquanto esses indivíduos deixam o mato crescer até os tornozelos e, como diz a Bíblia, atravancam a terra.

            O homem que perde seu tempo e sua força com a indolência se oferece como alvo para o diabo, que é um atirador extraordinariamente bom e perfurará o preguiçoso com seus tiros; em outras palavras, o homem preguiçoso atenta o diabo a tentá-los. Aquele que joga quando deveria trabalhar enfeitiça um espírito do mal para ser seu parceiro; e aquele que nem trabalha nem joga é uma oficina à disposição de Satanás. Se o diabo capturasse um homem preguiçoso, ele o poria para trabalhar, faria com que ele encontrasse ferramentas e, depois de muito tempo, pagaria um salário a ele. Não é daí que vem a embriaguez que enchem nossas cidades e vilas de miséria? A preguiça é a chave para a penúria e a raiz de todo o mal. O homem que não tem estomago para trabalhar tem dois para comer e beber. Nas horas de preguiça, aquele pequeno buraco logo abaixo do nariz engole o dinheiro que colocaria agasalhos nos ombros das crianças e pão na mesa dos casebres. A palavra de Deus afirma: "Os bêbados e os glutões se empobrecerão", e o versículo mostra a ligação entre eles ao concluir: "E a sonolência os vestirá de trapos".Sei disso do mesmo modo que sei que o musgo cresce nos telhados velhos e que o hábito de se embriagar brota das horas de preguiça. Eu aprecio o lazer quando posso usufruir dele, mas isso é completamente diferente; uma coisa é pau, a outra é pedra.

            Gente preguiçosa não sabe o que é lazer; está sempre com pressa e bagunçado, pois como negligencia o trabalho no momento certo sempre tem muito o que fazer. Ficar na indolência, hora após hora, sem fazer nada é o mesmo que fazer buracos na cerca para deixar os porcos passarem, e eles passarão – não se engane, pois os buracos que farão ninguém vê, exceto aqueles que cuidam do jardim. O próprio Senhor Jesus nos disse que enquanto os homens dormem, o inimigo semeia a praga; isso está muito certo, pois o mal entra no coração muito mais frequentemente pela porta da preguiça que por qualquer outra. Nosso velho pastor costumava dizer: "Um preguiçoso é a melhor matéria prima para o diabo, ele pode criar qualquer coisa desde um ladrão até um assassino". Não sou o único a condenar os preguiçosos, certa vez, eu ia entregar ao nosso pastor a longa lista dos pecados de uma das pessoas a respeito de quem ele havia me questionado, eu comecei dizendo: "Ela é terrivelmente preguiçosa". No mesmo momento, ele disse: "É o suficiente; todos os tipos de pecados estão nesse, ele é o sinal para conhecer um pecador cheio de pecados".

            Meu conselho para os jovens é: "Saiam do caminho da preguiça, pois vocês podem pegar essa doença e nunca se livrar dela". Tenho sempre medo de que eles aprendam o caminho da preguiça e fico muito atento para perceber qualquer coisa desse tipo logo no início; pois como vocês sabem, é melhor matar o leão enquanto é filhote.

            Certamente, nossos filhos carregam nossa natureza negativa neles, por isso podemos vê-la crescendo como erva daninha em um jardim. Quem consegue tirar ao limpo do que não é limpo? O ganso selvagem não choca o ovo quebrado. Nossos garotos saem para a vida apenas com seus aspectos negativos, a não ser que, desde o início, tornemos nosso lar um local tranquilo e bastante atraente para eles e os treinemos a odiar a companhia dos indolentes. Não os deixe ir ao bar "Rosa e a Coroa", faça-os, enquanto são jovens, aprender a ganhar uma coroa e cultivar as rosas no jardim de seus pais. Criem os jovens como abelhas, e eles não serão zangões, vadios.

            Atualmente, há muito a se dizer em relação a mestres e mestras incompetentes. Ouso dizer que há algo de bom nisso, pois, há incompetentes de todos os tipos hoje, como sempre houve. Em outra ocasião, se me permitirem, darei uma palavra sobre o assunto; mas tenho certeza de que há muito espaço para censura, mesmo entre as pessoas trabalhadoras, especialmente em relação à preguiça. Vocês sabem que somos obrigados a arar com o gado que temos à disposição; mas quando tenho de trabalhar com certos homens, preferiria dirigir uma equipe de lesmas ou ir à caça de coelhos com um furão morto. Porque de imediato seria mais fácil tirar leite de pedra ou suco de cortiça do que conseguir resultados com alguns deles; mesmo porque eles estão sempre falando dos seus direitos. Eu gostaria que eles examinassem os próprios erros, em vez de se encostarem às alças do arado. Afinal, preguiçosos e dorminhocos não são trabalhadores, não passam de porcos, bois ou cardos em macieiras. Nenhum deles faz parte do grupo de caçadores que se veste com paletós vermelhos, e nenhum deles é trabalhador ou se denomina assim. Às vezes, eu gostaria de saber porque alguns de nossos empregadores mantêm afinal tantos gatos que não caçam ratos. Seria mais fácil eu deixar minhas moedas caírem em um poço que pagar para pessoas que apenas fingem trabalhar. Vê-las todos os dias se arrastando sobre uma folha de repolho, é algo que apenas nos irrita e faz nossa carne ferver. Viva e deixe viver, digo eu, mas não inclua os preguiçosos nessa licença. "Não dê comida aos que não trabalham".

            Talvez seja o momento adequado para dizer que algumas pessoas das classes mais altas, como são chamados, dão um exemplo vergonhoso em relação a isso, alguns abastados são quase tão preguiçosos quanto ricos, e, muitas vezes, até mais. As ratazanas dormem por tanto tempo e tão ruidosamente quanto os ratinhos. A maioria dos párocos compra ou encomenda um sermão para evitar o trabalho de pensar. Isso não é uma preguiça abominável? Eles zombam dos que fazem discursos afetados, mas não ficam envergonhados ao ficar em pé para ler um sermão de outra pessoa como se fosse seu. Muitos de nossos fazendeiros não têm mais nada para fazer além de repartir o cabelo ao meio; e, em Londres, conforme me disseram, muitos dos nobres, tanto senhoras como cavalheiros, não têm ocupação melhor que matar o tempo. Atualmente, diz-se que quanto mais alto o salto, maior o tombo; da mesma forma, quanto mais importante é a pessoa, mais sua preguiça chama atenção, e mais ela deve se envergonhar dela. Não digo que elas têm obrigação de arar, mas que têm o dever de fazer alguma coisa em relação à situação, além de serem como as lagartas no repolho comem a melhor parte; ou como as borboletas que se exibem, mas não produzem mel. Não posso me irritar com essas pessoas por qualquer coisa, pois sinto pena delas, quando penso nas regras de moda estúpidas que são obrigadas a obedecer, e na vaidade com que prolongam seus dias. Eu preferiria antes vergar minhas costas com o trabalho pesado do que ser um rapaz elegante com nada para fazer além de me olhar no espelho e ver em mim mesmo um sujeito que nunca pôs uma simples batata no pote da nação, mas apenas tirou muitas. Antes despencar das montanhas de Surrey, esgotado como a velha égua marrom de meu mestre, que comer pão e queijo sem ter trabalhado para isso; é melhor ter uma morte honrosa que levar uma vida imprestável. Seria melhor entrar em meu caixão que ser um morto vivo, um homem cuja vida é uma folha em branco.

            De qualquer modo, não é fácil que os preguiçosos passem impunes por todos seus esquemas porque, no fim, sempre carregam a maior parte das penas. Elas não consertam o telhado, portanto têm de construir uma nova cabana; não põem o cavalo na carroça, por isso, terão elas mesmas de puxar a carroça. Se fossem espertas, executariam bem seu trabalho, a fim de não fazê-lo duas vezes, e se esforçariam trabalhar bem enquanto estão na lida para tirar a pendência da frente. Meu conselho é: se você não gosta de trabalho pesado, comece a trabalhar com garra, execute-o e goze seu tempo de descanso.

            Eu gostaria que todas as pessoas religiosas pensassem a respeito desse assunto, pois alguns professores são surpreendentemente preguiçosos e, com isso, fornecem um material lamentável para a língua dos ímpios.

            Penso que um lavrador religioso deve ser o melhor homem no campo, e não deve permitir que nenhum grupo o derrote. Quando estamos trabalhando, temos o dever de estar com a atenção no trabalho e não podemos parar para conversar, mesmo que a conversa seja sobre religião. Do contrário, não apenas roubamos de nosso empregador o nosso próprio tempo, como também o tempo dos cavalos. Eu costumo ouvir pessoas dizerem: "Nunca pare o arado para matar um rato", da mesma forma, é uma tolice parar para bater papo; além disso, um homem que desperdiça o tempo, quando o patrão está ausente é um bajulador, o que considero o oposto de ser cristão. Se alguns dos membros de nossa congregação fossem um pouco mais ágeis com os braços e as pernas quando trabalham e um pouco menos ativos com as línguas, falariam mais sobre religião do que falam agora. O povo diz que o maior enganador é o mais devoto, eu fico constrangido em afirmar que um dos maiores preguiçosos que conheço é um homem que se declara abertamente um falante. Seu jardim está tão coberto de ervas daninhas que por pouco não tomo a iniciativa de capiná-lo para ele. Se ele fosse mais jovem, conversaria com ele a respeito disso para livrar nosso grupo da vergonha que ele acarreta sobre nós e a fim de orientá-lo melhor, mas quem pode ser professor de uma criança de sessenta anos? Ele é um espinho constante para o nosso amável pastor, que anda muito aflito com isso e diz muitas vezes que tem vontade de ir para outro lugar porque não consegue lidar com essa conduta; mas eu digo-lhe que em qualquer lugar que viva sempre encontrará um arbusto espinhoso perto de sua porta, e será uma benção se não encontrar dois.

            Contudo, eu gostaria que todos os cristãos fossem diligentes, pois a religião jamais teve por desígnio que nos tornássemos preguiçosos. Jesus foi um grande trabalhador e seus discípulos não tinham medo de trabalhar duro.

            Da mesma forma, tem muito disso no servir ao Senhor com o coração frio e a alma preguiçosa, além de fazer a religião definhar. Os homens cavalgam quando caçam para ganhar algo, mas são lerdos quando estão a caminho do céu. Os pregadores continuam a vacilar e a falar de forma monótona, em uma verdadeira lenga-lenga, e o povo começa a bocejar, cruzar os braços e a dizer que, por isso, Deus está recusando a bênção. Todo preguiçoso maldiz sua sorte quando se vê incluído grupo dos esfarrapados; e algumas igrejas aprenderam esse mesmo artifício pernicioso. Eu acredito que quando Paulo planta, e Apolo rega, Deus faz crescer, e não tenho paciência com os que põem a culpa em Deus, quando eles são os culpados. Agora esgotei todos os meus recursos. Receio ter falado em vão, mas fiz o melhor que pude, nem um rei poderia fazer mais. Uma formiga nunca produzirá mel se não trabalhar com o coração, e eu jamais exporei meus pensamentos de forma tão bela como alguns escrevem um livro de sucesso; mas a verdade é a verdade mesmo vestida de chita e, assim, chego ao fim de toda essa história.
Extraído do livro “Sabedoria Bíblica – Conselhos simples para pessoas simples” de autoria de Charles H. Spurgeon

domingo, 19 de maio de 2019

MISSÕES É possível expandir o Reino de Deus sem ajuda financeira?


MISSÕES
É possível expandir o Reino de Deus sem ajuda financeira?

Pregar o Evangelho a toda criatura como nos ordenou Jesus em Marcos 16:15 não é uma tarefa tão simples e sem custos.
Alguns, mais imediatistas, emitirão suas opiniões sem terminar de ler esse texto, mas eu os convido a refletirem comigo por apenas mais alguns minutos. Não será um “textão”. Será simplesmente a constatação da realidade do Campo Missionário.
Evangelizar nossos vizinhos não requer nenhum tipo de gasto financeiro. Basta um breve ou longo bate-p apo e com a ajuda do Espírito Santo, levamos a mensagem de salvação para esse nosso conhecido. Todavia, se precisarmos nos locomover para um bairro distante de nossa cidade precisaremos arcar com as despesas da condução, a menos que sejamos idosos e que não paguemos as passagens.
Diante desta simples constatação, imaginemos fazer Missões em outras Cidades, Estados e Países...
Pulando toda a preparação que o Missionário tem para atender e executar bem o seu Chamado para o Campo missionário, temos todas as despesas decorrentes dos projetos que eles desenvolvem.
É sabido do compromisso que temos com o projeto Kunhimela em Maputo, Moçambique. Sobre ele escrevemos matérias de capa de nossos Informativos, entrevistamos uma das responsáveis, a missionária Alessandra Lacerda, e sempre enfatizamos a seriedade e a transparência com que eles desenvolvem um trabalho com aproximadamente 100 crianças.
Não é difícil compreender que existe um custo operacional para que essas crianças sejam atendidas e que sem a ajuda financeira dos colaboradores, padrinhos das crianças e igrejas mantenedoras dos Missionários esse e tantos outros trabalhos missionários simplesmente não têm como se desenvolver. O IDH de praticamente 90% dos países Africanos está entre os mais baixos do mundo, mostrando assim o grau de pobreza existente na região. Não bastasse, ainda existem 12 países que estão dentro da Janela 10x40 (62 países onde se é mais difícil pregar o Evangelho e onde vivem 95% da população mundial), onde a esmagadora maioria é composta de muçulmanos e todos sabemos como eles agem para defender a sua fé.
Moçambique não consta na ranking dos 50 países com maior perseguição ao Evangelho, mas figura na 65ª posição, talvez porque o tipo de perseguição n o centro e sul do país seja mais velada, o que não acontece no norte onde a perseguição islâmica é intensa, chegando a assassinato de cristãos.
Manter uma criança no Projeto Kunhimela gira em torno de R$ 60,00 mensais. Muitos colaboradores não têm conseguido efetuar suas contribuições por entender que não podem ajudar com valores menores. Caso não tenha conseguido levantar esse valor mensalmente, faça sua contribuição com valores menores. Ao se somar com outros colaboradores que também não tiveram condições de depositar valores maiores poderemos manter em parte os projetos em andamento.
Colaboração financeira é imprescindível.Não deixe de orar, divulgar, mas também não deixe de contribuir de forma sistemática para que a Obra se fortaleça e que o Reino seja expandido.
Deixo as orientações de Paulo para nossa reflexão:
2 Coríntios 9:6-10: “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; Conforme está escrito:Espalhou, deu aos pobres;a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça;”.
Que o Senhor alimente nossa alma e incendeie nossos corações para Missões.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo


quinta-feira, 2 de maio de 2019

ENTREVISTA COM A MISSIONÁRIA ALESSANDRA LACERDA




REVISTA PROCURANDO OS PERDIDOS – CAMPO MISSIONÁRIO

ENTREVISTA COM A MISSIONÁRIA ALESSANDRA LACERDA 
DO PROJETO KUNHIMELA - MAPUTO - MOÇAMBIQUE

Atuar no Campo missionário requer muito mais que boa vontade. Exige preparação teológica, psicológica e determinação para enfrentar diariamente desafios que a grande maioria dos cristãos não estaria disposta a enfrentar.
Para iniciarmos nossa série de entrevistas com missionários escolhemos a Missionária Alessandra Lacerda, que juntamente com seu marido, Missionário Lízias Cabral Filho estão à frente do Projeto Kunhimela, da Igreja Batista Kunhimela, em Maputo, Moçambique.




 Projeto Procurando os Perdidos (PPP): Graça e Paz Missionária Alessandra?

Missionária Alessandra: Graça e paz irmão Antônio Carlos, antes de iniciar nossas respostas, gostaria de agradecer por nos oportunizar apresentar nossa história bem como o trabalho missionário aqui em Moçambique, sul do continente africano.

PPP: Conte-nos um pouco sobre o seu chamado para o Campo Missionário.
Você nasceu em um berço evangélico? Quando você sentiu que Deus a havia chamado para ser missionária? Você está ligada administrativamente a alguma Junta Missionária? Qual? Como foi sua preparação para atuar como Missionária Transcultural? Desde o início de sua formação teológica você queria atuar em Moçambique ou o “acaso” a conduziu até essa nação? Houve um período de aculturação ou você saiu da Junta Missionária diretamente para Moçambique?
Ufa, vamos com calma não é?

Missionária Alessandra: Sou a filha mais velha de três irmãos criados em berço evangélico e desde muito cedo estive envolvida nas atividades voltadas para  ensino, cuidado e a pregação do evangelho.
Minha história de chamado missionário vem desde a adolescência quando entendi que poderia fazer algo a mais do que eu já fazia.
Iniciei então, uma caminhada de preparo e serviços mais direcionados a tal.
Em 2008, fomos para Belo Horizonte, onde existe a base da JAMI - nossa junta de missões e lá fizemos o curso de especialização em missiologia no CETRAMI, escola de missões da CBN, onde fomos preparados para o trabalho como missionários transculturais.
Nunca me ative a um campo específico, sempre entendi o chamado de Deus para onde Ele direcionasse. Dessa forma, pensamos em países como Timor Leste, Burkina Faso entre outros. Entretanto, devido a uma necessidade específica, fomos convidados a trabalhar em Moçambique. Devido à necessidade vigente naquele momento, não tivemos um período de aculturação em outro país.

PPP: Conte-nos como foi a sua adaptação ao novo país e o que a fez ter a certeza de que havia feito a escolha certa?
Missionária Alessandra: Nossa adaptação foi relativamente boa.
Muitas pessoas pensam que “falamos a mesma língua” pelo fato de Moçambique ser uma colônia portuguesa. Entretanto, a dificuldade de compreensão dos nossos irmãos nos preocupava muito, dessa forma, precisamos modificar boa parte do material de trabalho a fim de alcançarmos os resultados satisfatórios.
Outro ponto que vale relembrar é quanto ao transporte, pois não tinhamos meio de transporte pessoal e isso dificultou muito nossos 04 primeiros anos de serviço.  Mesmo assim, ao nos depararmos com a realidade de Moçambique e do quanto nossos serviços auxiliavam aos irmãos moçambicanos, tivemos a certeza de que Deus nos colocou aqui a fim de colaborarmos com a expansão de Seu reino.

PPP: Quando você e seu marido Lízias chegaram a Moçambique já existia o Projeto Kunhimela e há quanto tempo vocês estão à frente do Projeto?

Missionária Alessandra: Quando chegamos em Moçambique nosso trabalho era com formação de obreiros nacionais e auxílio às igrejas Batistas Renovadas da região sul de Moçambique. Após 06 anos servindo aos irmãos moçambicanos, Deus nos direcionou mais especificamente para um trabalho com um grupo pouco assistido aqui: - as crianças. Foi assim que o KUNHIMELA nasceu. Embaixo de uma mangueira no quintal cedido pela dona da casa onde alugamos.
Contávamos histórias bíblicas aos domingos, depois passamos a contar durante a semana. Nos apresentamos aos líderes do bairro e foi então que expusemos nosso desejo de ajudar com atividades em apoio à comunidade, dessa forma, contamos hoje com aproximadamente 10 atividades com crianças, jovens e adultos, além dos programas realizados pela igreja que também foi plantada no mesmo local, já há 03 anos.

PPP: Quais foram os principais desafios enfrentados por vocês no início das atividades do Kunhimela e como é pregar o Evangelho onde predomina o curandeirismo e o sincretismo religioso?

Missionária Alessandra: Os desafios foram incontáveis, desde a falta de mão de obra qualificada (tanto para a igreja quanto para o projeto), adequação do local utilizado (as atividades acontecem no quintal da casa que alugamos para viver) bem como a falta de segurança, pois nossas atividades acontecem todos os dias, em horários diferentes. Sem sombra de dúvidas, pregar o evangelho em meio à essa mistura de animismo e a prática da chamada “religião tradicional africana” é algo extremamente delicado. Grande parte da comunidade se diz adepta de alguma confissão de fé, porém, ao longo dos anos vimos que essa é apenas uma desculpa para não serem convidados ao evangelho transformador de Cristo, uma vez que existe uma dependência muito grande “da benção dos antepassados” ou do escambo (trabalho ou qualquer tipo de ajuda) através da religião. É muito comum você conversar com alguém que “é muçulmano” pelo fato de trabalhar em um local onde os donos exigem que os funcionários professem a sua fé entre outros.

PPP: Quais são as atividades desenvolvidas pelo Kunhimela atualmente?
Missionária Alessandra: Atualmente no projeto temos:
- ensino pré escolar;
- reforço escolar;
- inglês;
- aulas de música;
- aulas de canto e teoria musical;
- corte e costura;
- artesanato;
- programa de assistência básica alimentação;
- Alfabetização de jovens e adultos;
- prática esportiva;
Além das atividades realizadas pela igreja com cultos, visitas domiciliares, estudos bíblicos e atividades no âmbito social (palestras informativos, bazar de novos e usados, entre outros).

PPP: Por faixa etária, como estão distribuídas as atividades do Projeto?
Missionária Alessandra:
- As atividades pré escolares atendem às crianças dos 03 aos 05 anos;
- O reforço escolar auxilia aos alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental;
- A alfabetização de jovens e adultos se destina a todos os que não tiveram condições de frequentar a escola;
- A prática esportiva atende às crianças e adolescentes;
- As demais atividades são oferecidas de acordo com o desejo e aptidão dos interessados em se tornarem alunos;

PPP: O Kunhimela conta com quantos colaboradores? São renumerados ou voluntários?

Missionária Alessandra: Atualmente temos em torno de 15 colaboradores, sendo 06 na escola e os demais nas atividades de ensino as quais foram designados. Como o projeto é totalmente sem fins lucrativos, cada um dos nossos colaboradores são jovens cristãos que entendem a realidade do projeto e recebem uma ajuda de custo mensal a fim de auxiliar nas despesas de transporte e outras.

PPP: Como são custeadas as despesas dos alunos do Kunhimela?
Missionária Alessandra: As despesas geradas a partir das atividades oferecidas aqui no projeto são custeadas por padrinhos, madrinhas e outros (igrejas e anônimos) que se comprometem doando um valor mensal durante um ano ou o faz quando tem condições.

PPP: Podemos afirmar que o Kunhimela é mais que uma Instituição religiosa?

Missionária Alessandra: Sim, uma vez que a igreja surgiu a partir da necessidade de acolher aos jovens e adultos que sempre questionavam “porquê fazíamos  tantas coisas de borla (de graça)”. Nesse momento, explicávamos sobre o amor que gera esperança, transforma e nos dá a oportunidade de transformar o nosso futuro a partir de uma nova perspectiva.

PPP: Sendo assim, o que esperam passar de valores e princípios para as crianças e adolescentes que são alcançados pelo Projeto e como elas poderão utilizá-los na vida adulta?

Missionária Alessandra: Eu sou fruto de uma igreja extremamente envolvida com ação social e pregação do evangelho simples. Sempre que posso, conto um pouco da minha trajetória e de como Deus nos trouxe para Moçambique.
Ao longo desses 03 anos aqui, diariamente procuramos repassar valores pautados na ética, moral e bons costumes. Valores que nos levam “além das atuais perspectivas” de fracasso e desvalorização. Desse modo, tentamos ajudá-los a perceber todo o potencial existente em cada um deles e assim, despertar a capacidade de avançar um pouco mais com a ajuda de Deus.

PPP: Muito importante a visão que vocês têm acerca do Projeto e como têm caminhado apesar dos desafios. Como as pessoas, que se identificaram com o Kunhimela podem colaborar financeiramente para que ele mantenha e amplie as suas atividades?
Missionária Alessandra: Os interessados em colaborar podem doar seu conhecimento em alguma área como missionário de curto prazo, tornar-se um padrinho ou madrinha mensal do projeto ou ainda, ofertar um valor simbólico para as atividades que realizamos como igreja junto à comunidade. Além disso, é fundamental que cada um dos interessados em ajudar, nos cubra com intercessão em favor das atividades bem como de cada um que compõe esse todo no qual funcionamos: - professores, auxiliares, alunos, missionários, nossa junta e igreja enviadora.

PPP: Olhando para esses dez anos de atuação em Moçambique, você diria que valeu a pena toda a luta e os desafios pelos quais passaram?

Missionária Alessandra: Sem dúvidas!
Quando lembro dos olhares desconfiados das crianças para a “mulunga” (branca) de fala engraçada e do cabelo grande que “não é mecha” (aplique), meu coração revive a emoção de ouvir histórias de dor, mas também de experiências incríveis do que Deus pode fazer!
Algumas crianças testemunharam que familiares foram curados porque eles oraram a Deus e Ele as ouviu! Ter a certeza de que apesar de todos os percalços ao longo dessa caminhada a semente tem dado lindos frutos é a maior recompensa de que valeu a pena!

PPP: Sabemos que o IDH de Moçambique é muito baixo, o que demonstra as dificuldades enfrentadas pela população em todas as áreas: saúde, educação, alimentação e formação profissional . Diante desses desafios que estão longe de serem totalmente vencidos, quais as suas perspectivas em relação ao futuro do país e do Projeto Kunhimela?

Missionária Alessandra: Moçambique está hoje entre os 05 países com o IDH mais baixo do mundo, mas isso só nos impulsiona a seguir! Sempre aprendi que o “não eu já tenho”, então nunca desisitimos de sonhar, foi assim que meus pais me ensinaram. Sonhamos muito, mas não nos restringimos só a Moçambique. Esperamos em breve abrir novos núcleos do projeto, seguirmos no treinamento de liderança a fim de que tenhamos o suporte necessário para tão logo seja possível, alargarmos as fronteiras e alçarmos novos voos.

PPP: Para finalizarmos, qual mensagem e conselhos você gostaria de deixar para aqueles que sentem um chamado para atuar em Missões Transculturais.

Missionária Alessandra: É complicado aconselhar, entretanto, acredito que seja importante não nos fecharmos à espera de um chamado específico!
Deus nos quer usar onde estamos plantados e muitas vezes nos atemos a uma espera desnecessária.
Ir além fronteiras é algo que exige abnegação e preparo. A cada um dos que Deus tem dado essa convicção, se atenha à sua humanidade, já que ninguém sabe tudo e não existe o “super missionário(a)”. Somos todos falíveis e carecemos da graça e misericórdia de Deus.
Quando entendemos que a obra é Dele e Ele a torna confiável a nós, temos muito mais probabilidades de obtermos êxito.
Que o Senhor nos continue direcionando a fim de que apenas Sua vontade seja realizada em nós e através de nós.

PPP: Agradecemos a Deus por sua vida, por seu empenho e dedicação incansáveis na obra que Ele te confiou. Acreditamos que nossa entrevista servirá de incentivo para aqueles que têm um chamado para Missões e também o fortalecimento da crença de que missões não se faz apenas indo para o campo missionário, mas também com orações, divulgação e contribuições financeiras para a manutenção dos missionários e dos projetos que dirigem.
Que o Senhor a abençoe grandemente e continue te usando com poder e autoridade, fazendo com que através do trabalhos das suas mãos vidas sejam alcançadas, estruturadas, edificadas e fortalecidas nos caminhos do Senhor.



domingo, 21 de abril de 2019

LINKS PARA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES DO RANKING DA PERSEGUIÇÃO DA MISSÃO PORTAS ABERTAS


LINKS PARA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES SOBRE OS PAÍSES COM PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA ELABORADO PELA PORTAS ABERTAS
PAÍS
POSIÇÃO
RANKING
LINK DE ACESSO ÀS INFORMAÇÕES COMPLETAS SOBRE O PAÍS
CORÉIA DO NORTE
AFEGANISTÃO
SOMÁLIA
LÍBIA
PAQUISTÃO
SUDÃO
ERITREIA
IÊMEN
IRÃ
ÍNDIA
10º
SÍRIA
11º
NIGÉRIA
12º
IRAQUE
13º
MALDIVAS
14º
ARÁBIA SAUDITA
15
EGITO
16º
UZBEQUISTÃO
17º
MIANMAR
18º
LAOS
19º
VIETNÃ
20º
REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
21º
ARGÉLIA
22º
TURCOMENISTÃO
23º
MALI
24º
MAURITÂNIA
25º
TURQUIA
26º
CHINA
27º
ETIÓPIA
28º
TAJIQUISTÃO
29º
INDONÉSIA
30º
JORDÂNIA
31º
NEPAL
32º
BUTÃO
33º
CAZAQUISTÃO
34º
MARROCOS
35º
BRUNEI
36º
TUNÍSIA
37º
CATAR
38º
MÉXICO
39º
QUÊNIA
40º
RÚSSIA
41º
MALÁSIA
42º
KUWAIT
43º
OMÃ
44º
EMIRADOS ÁRABES UNIDOS
45º
SRI LANKA
46º
COLÔMBIA
47º
BANGLADESH
48º
TERRITÓRIOS PALESTINOS
49º
AZERBAIJÃO
50º


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