sexta-feira, 19 de abril de 2019

Pessach (Páscoa Judaica) e a Páscoa Cristã. O que elas podem nos ensinar?



Esse ano, particularmente as datas coincidiram: o primeiro dia da Páscoa judaica (Pessach) 19/04 será a sexta-feira que antecede o domingo, 21/04, dia em que a Cristandade a Páscoa e a Ressurreição de Jesus Cristo.
Para muitos as datas não têm nenhuma relação entre si, mas analisando com calma podemos verificar que existem muitas semelhanças e simbologias que apontam para a Obra e a Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo - pelo menos no meu humilde entendimento –, e gostaria de deixar claro que não tenho por objetivo estabelecer nenhum estudo teológico ou exegético, mas simplesmente procurar identificar através dos símbolos e das características da comemoração que existem entre as duas datas e como elas nos levam a verificar o grande amor e a infinita misericórdia de Deus por cada um de nós.
Durante 400 anos o povo hebreu residiu no Egito sendo que a maior parte desse período viveu em regime de escravidão. A Palavra de Deus nos mostra que ao sentirem o peso que aquela situação estava gerando, principalmente no que dizia respeito à incerteza em relação futuro, começaram a clamar a Deus em busca do alivio de suas dores ou quem sabe da própria libertação daquele jugo cruel.
Talvez no coração daquele povo oprimido, o simples fato de serem reconhecidos como seres humanos por parte das autoridades e do povo egípcio, já seria suficiente para fazer deles pessoas mais felizes.
Quantos de nós não nos sentimos assim às vezes?
Quantos de nós não almejamos ao menos um pouco de simpatia por parte dos que nos rodeiam? Nem precisa ser aquela simpatia “melosa”, onde ficam nos elogiando e valorizando o tempo inteiro; para muitos de nós, apenas um olhar carregado de amor e uma mão estendida em sinal de ajuda já seriam mais que suficientes para mostrar que somos importantes não pelo que possuímos, mas pelo que somos: Seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus, que a todos ama indistintamente.
Quantas pessoas passam por essa vida sem ao menos sentirem-se amadas ou quem sabe, notadas por alguém?
Aquele povo sentia-se assim: desamparado, perdido em meio a tanto sofrimento, e Deus, ouvindo o seu clamor e entendendo que estava na hora de receberem o livramento tão esperado levantou um homem, criado como filho da filha de Faraó, mas que carregava em suas veias e em seu coração o sangue e a esperança de uma nação em formação. Esse homem chamava-se Moisés. Destinado à morte pelos homens em seu nascimento, fora preservado pela mão protetora do Senhor para a Seu tempo livrar o povo do jugo da escravidão a que estavam destinados desde o momento no qual o povo daquela nação (Egito) começou a olhar para eles com desprezo e inveja por presenciarem as bênçãos que recebiam Daquele que eles entendiam como sendo o Deus Único, que havia feito um pacto com seus antepassados, os patriarcas, e que havia dito a Abraão que faria da sua descendência uma numerosa nação.
Verdadeiramente aquele povo tinha motivos para acreditar no livramento, mas quantos realmente criam que ele viria algum dia? Afinal, toda aquela geração havia suportado o peso da escravidão e talvez nem soubesse viver em liberdade, pois esta, trás em seu bojo a responsabilidade pelos atos praticados e eles não pareciam estar conscientizados disso.
Todos conhecem a maravilhosa narrativa do livramento que Deus concedeu ao povo hebreu. Desde a saída gloriosa do Egito, até a abertura do mar Vermelho, ante os olhos estupefatos de todos aqueles que confiaram nas palavras de Moisés e nas manifestações de Poder exibidas pelo Senhor.
Para o povo judeu esse dia santo celebra o mais importante evento de sua história, pois representa a redenção de sua escravidão no Egito e a sua saída daquela terra.
Aquele povo, assim que se viu livre das garras de seus algozes, celebrou com jubilo o grande livramento concedido pelo Senhor.
Na festa de Pessach alguns símbolos são colocados sobre a mesa de refeições que une toda a família. É o momento de contar toda a história desse grande livramento e das recomendações para que nunca deixem de reproduzi-la principalmente para as crianças.
Sobre a mesa são colocados os seguintes ingredientes, dispostos sobre três matzot (plural de Matzá (pão não fermentado)):
Beitzá: um ovo que foi cozido e, depois assado no forno. Ele comemora a oferta feita pelos peregrinos que iam até o Templo em Jerusalém para o dia santo.
Zero’á: um osso assado, com um pouco de carne. Simboliza o cordeiro pascal sacrificado na ocasião do Êxodo e, também, durante o período do templo.
Maror: um vegetal amargo. O maror faz lembrar quão amarga era a vida do povo judeu como escravos no Egito.
Charoset: uma pasta espessa, feita de maçãs raladas, amêndoas moídas ou batidas, algum tipo de noz, mel ou açúcar como adoçante e um pouco de vinho para umedecer tudo. Simboliza a argamassa da qual os judeus enquanto escravos faziam tijolos no Egito, e por essa razão considera-se melhor usar pedacinhos de canela em rama para dar gosto, porque eles se assemelham à palha da mistura de lama e palha original.
Karpas: qualquer vegetal verde.
Para o povo judeu Pessach significa o livramento humano, mas para nós, cristãos, a Páscoa significa muito mais que um livramento físico: trata-se de um livramento espiritual.

A Palavra de Deus nos mostra em Gálatas 4.4-7 que: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”

À semelhança do povo judeu, nós também, estávamos debaixo do jugo e peso da escravidão do pecado que nos corroia por dentro. O fogo abrasador do afastamento divino, consequência do pecado original, era infinitamente superior ao calor produzido pelos fornos utilizados para a confecção dos tijolos que aquele povo era obrigado a produzir para seus senhores no Egito.
Quando olhamos para nossas vidas antes de nosso encontro pessoal com o Senhor Jesus, podemos nos transportar para aqueles momentos terríveis pelos quais passavam nossos irmãos judeus.
Quando Deus olhou o sofrimento daquele povo Ele estava contemplando toda a humanidade, quer estivessem residindo naquela poderosa nação, quer estivessem abrigados ou desabrigados no menor pedaço de terra no mais distante território da Terra.
Deus amou e continua amando o povo judeu, mas João nos mostra que o Seu amor era e é muito mais amplo, quando diz que: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.16,17)
Quando Deus decidiu preservar Moisés para que libertasse um povo e o transformasse em uma nação sacerdotal, Ele estava olhando para cada um de nós e no momento certo, quando as condições humanas estavam favoráveis para que Seu “plano” fosse colocado em ação, enviou o Seu próprio Filho para completar a obra que nenhum profeta, por mais poderoso, humilde e dedicado que fosse poderia realizar: Salvar o ser humano e dar-lhe livre acesso à Sua presença gloriosa, e essa tarefa não poderia ser realizada por ninguém que fosse gerado em pecado, mas deveria ser manifestada por alguém que não tivesse nenhuma mácula, que tivesse autoridade espiritual para passar por esse mundo, vivendo as mesmas dificuldades e vicissitudes de qualquer ser humano, para que, em vivendo assim, pudesse mostrar a todos nós que viver uma vida reta e santa é possível, apesar das evidências serem contrárias.
Somente uma pessoa poderia realizar essa maravilhosa obra de redenção, não apenas física, temporal e material, mas espiritual e eterna: Jesus Cristo, o Verbo encarnado, a mais pura manifestação do infinito amor de Deus por suas criaturas.
Jesus passou por esse mundo e teve as mesmas dificuldades que todos nós temos: Foi desprezado e humilhado; perseguido e maltratado; rejeitado por aqueles que se diziam amigos e companheiros; abandonado por aqueles que nem um de nós acreditaria que pudessem fazê-lo; foi considerado como escória e por pregar e viver intensamente o amor de Deus foi considerado culpado e conduzido à morte para que se cumprissem as Escrituras.
Aquela sexta-feira que precedia o Shabat era também a preparação para Pessach, o primeiro dia da celebração da festa.
No dia anterior todas as famílias judaicas haviam retirado de suas casas todos os alimentos fermentados, para que durante as festividades, não houvessem alimentos considerados impuros, mas naquele que seria o dia em que a família se reuniria em torno da mesa para contar a história do livramento material que Deus concedera aos seus antepassados, naquele mesmo dia, estavam crucificando Aquele que os havia libertado com mão forte do Egito e que agora viera cumprir o propósito daquele livramento, resgatando em Si mesmo, não apenas aquelas famílias que festejam em suas casas, mas toda a humanidade.
Aquela sexta-feira para nós e Shabat para eles, representou um instante de sofrimento e dor inaudita, mas ao terceiro dia, no domingo, que hoje festejamos como sendo a Páscoa Cristã, Ele ressurgiu dos mortos para completar definitivamente a Sua Obra. Ele havia carregado o pecado de toda a humanidade e a partir daquele momento concedeu a cada um que cresce naquela manifestação divina pudesse novamente se reconciliar com o Pai.
Ele não deixou escrito que deveríamos comemorar essa data com alimentos simbolizando as passagens adversas que tivemos em nossas vidas pecadoras, mas deixou-nos uma ordenança que mostra o quanto Ele ama, não apenas a nós que já o reconhecemos com Senhor e Salvador, mas quanto ele ama a todos quantos ainda não tiveram esse entendimento e que ainda jazem debaixo do jugo da escravidão do pecado e da morte espiritual.
Ele disse: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.” (Jo 15.12-17)
E seguindo as ordens de Jesus, o que devemos fazer para demonstrar o Seu amor por toda a humanidade, mostrando que o dia de Pessach (livramento físico) e o dia da Páscoa (ressurreição espiritual) são todos os dias? Seguindo a orientação de Paulo a Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tm 4.2-4),“...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15,16)

Que o Senhor Jesus nos dê um coração amoroso e compassivo, que identifique em nossos irmãos não apenas a necessidade de um livramento material da escravidão das dificuldades que a vida apresenta (Pessach), mas principalmente, que Ele nos ajude a identificar em nossos próprios corações a necessidade de livrar nossos irmãos da escravidão do pecado e da morte espiritual (Páscoa).
Sempre juntos em Jesus.

Antonio Carlos, aprendiz de servo.

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