domingo, 5 de abril de 2020

Pessach Judaica e a Páscoa Cristã! O que elas podem nos ensinar?

Esse ano, particularmente as datas coincidiram: os últimos dias da Páscoa judaica (Pessach) serão intercalados pelo dia em que a Cristandade comemora o domingo de Páscoa (12/abril).
Para muitos, as datas não têm nenhuma relação entre si, mas analisando com calma podemos verificar que existem muitas semelhanças e simbologias que apontam, pelo menos no meu humilde entendimento, para a Pessoa e a Obra Redentora do nosso Senhor Jesus Cristo e gostaria de deixar claro que não tenho por objetivo estabelecer nenhum estudo teológico, mas simplesmente procurar identificar, através dos símbolos e características que existem entre as duas datas, que eles nos levam a confirmar o grande amor e a infinita misericórdia de Deus por cada um de nós.
Durante 430 anos o povo hebreu residiu no Egito, sendo que na maior parte desse período viveu em regime de escravidão. A Palavra de Deus nos mostra que ao sentirem o peso que aquela situação estava gerando, principalmente no que dizia respeito à incerteza no futuro, começaram a clamar a Deus em busca de alívio ou quem sabe da própria libertação daquele jugo cruel.

Talvez no coração daquele povo oprimido, o simples fato de serem reconhecidos como seres humanos por parte das autoridades e do povo egípcio já seria suficiente para fazer deles pessoas mais felizes.

Quantos de nós não nos sentimos assim às vezes?
Quantos de nós não almejamos ao menos um pouco de simpatia por parte dos que nos rodeiam? Nem precisa ser aquela simpatia “melosa”, onde ficam nos elogiando e valorizando o tempo inteiro. Para muitos de nós, apenas um olhar carregado de amor e uma mão estendida em sinal de ajuda já seriam mais que suficientes para mostrar que somos importantes não pelo que possuímos, mas pelo que somos: Seres humanos, formados à imagem e semelhança de Deus, que a todos ama indistintamente.
Quantas pessoas passam por essa vida sem ao menos se sentirem amadas ou quem sabe, notadas por alguém?
Aquele povo sentia-se assim: desamparado e perdido em meio a tanto sofrimento, e Deus, ouvindo o seu clamor e “entendendo” que estava na hora de receberem o livramento tão esperado levantou um homem, criado como filho da filha de Faraó, mas que carregava em suas veias e em seu coração o sangue e a esperança de uma nação em formação. Esse homem chamava-se Moisés. Destinado à morte pelos homens em seu nascimento, fora preservado pela mão protetora do Senhor para, há Seu tempo, livrar o povo hebreu do jugo da escravidão a que estavam destinados desde o momento em que o povo daquela nação (Egito) começou a olhar para eles com desprezo e inveja por presenciarem as bênçãos que recebiam Daquele que buscavam como sendo o Deus Único, que havia feito um pacto com seus antepassados, os patriarcas, e que havia dito a Abraão que faria de sua descendência uma numerosa nação.

Verdadeiramente aquele povo tinha motivos para acreditar no livramento, mas quantos realmente criam que ele viria algum dia? Afinal, toda aquela geração havia suportado o peso da escravidão e talvez nem soubesse viver em liberdade, pois ela traria em seu bojo a responsabilidade pessoal e coletiva pelos atos praticados.
Todos conhecem a maravilhosa narrativa do livramento que Deus concedeu ao povo hebreu. Desde a saída gloriosa do Egito, até a abertura do mar Vermelho, ante os olhos estupefatos de todos aqueles que confiaram nas palavras de Moisés e nas manifestações de Poder exibidas pelo Senhor diante de Faraó e de seus comandados.
Para o povo judeu, esse dia Santo celebra, certamente, o mais importante evento de sua história, pois representa a redenção de sua escravidão no Egito e a sua saída rumo à terra da promessa.
Aquele povo, assim que se viu livre das garras de seus algozes, celebrou com jubilo o grande livramento concedido pelo Senhor.

Na festa de Pessach alguns símbolos são colocados sobre a mesa de refeições que une toda a família. É o momento de contar toda a história desse grande livramento e das recomendações para que nunca deixem de reproduzi-la principalmente para as crianças.
Sobre a mesa são colocados os seguintes ingredientes, dispostos sobre três matzot (plural de Matzá (pão não fermentado) que representam o Povo Judeu em sua totalidade – a de cima representa os Cohanim (sacerdotes), a do meio os Leviim (levitas) e as de baixo os Israelim (povo) – e os Sefaradim (Judeus espanhóis) as colocam em cima da parte superior da bandeja e os Ashquenazim (Judeus alemães) costumam colocá-las na parte inferior da mesma.

Zero’á ou Zeroá – que significa braço, em hebraico, simboliza o Braço poderoso com que Deus tirou o povo hebreu do Egito. Representando o Corban Pessach – isto é, o cordeiro que se oferecia no Templo na véspera de Pessach, é colocado no canto superior, à direita. Os sefaradim costumam usar um “braço” de cordeiro ou vitela, enquanto os ashquenazim, um osso da perna, asa ou pescoço de frango, mas pode-se usar qualquer osso tostado com carne.

Beitzá ou Betsá: Ovo cozido, colocado no canto superior da bandeja, à esquerda, lembra o Corban Chaguigá, o segundo sacrifício oferecido em Erev Pessach. Usa-se o ovo, tradicional símbolo de luto, como sinal de tristeza pela destruição do Templo Sagrado de Jerusalém.

Maror: Erva amarga, colocada no centro da bandeja, simboliza a amargura e o sofrimento impostos aos judeus, enquanto escravos no Egito. Costuma-se usar uma verdura amarga, como escarola ou alface romana. Pode-se usar também outro tipo de alface ou endívia. Os ashquenazim usam a raiz forte (chrein).

Charoset: Mistura de nozes, amêndoas, tâmaras, maçãs, canela e vinho. Cada família deve prepará-la segundo seu costume. Coloca-se à direita, na bandeja. Representa a argamassa usada pelos judeus na construção das edificações do Faraó e o trabalho pesado a que eram obrigados.

Karpas ou Carpas: Salsão, colocado no quadrante inferior esquerdo da bandeja. Lembra o hissopo (Ezov), usado pelos Filhos de Israel para aspergir sangue nos batentes das suas casas, antes da praga dos primogênitos. Os ashquenazim usam salsinha, cebola ou batata. Essa verdura introduz o tema principal do Êxodo – a liberdade. Molha-se a verdura em água salgada ou vinagre, como lembrança das lágrimas derramadas e do suor incessante e calor causticante durante o trabalho escravo.

Chazéret – Costuma-se usar alface romana colocada na bandeja abaixo do Maror.

Além disso, fora da Keará (bandeja), colocam-se sobre a mesa:
- Um recipiente com água salgada, no qual se mergulham as verduras, para lembrar o mar.
- Uma taça para cada um dos representantes, contendo, cada taça, no mínimo 86ml de vinho (valor numérico de Cós, copo).

Para o povo judeu, Pessach significa o livramento humano concedido por Deus ao povo escolhido, mas para nós, cristãos, a Páscoa significa muito mais que um livramento físico, trata-se de um livramento espiritual que estende-se por toda a eternidade.
A Palavra de Deus nos mostra em Gálatas 4.4-7 que: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”
À semelhança do povo judeu, todos nós, também estávamos sob o extenuante jugo e suportávamos o peso da escravidão do pecado que nos corroía por dentro e que nos distanciava cada vez mais do relacionamento divino.
Para nós que vivíamos agarrados às ofertas de prazeres oferecidos pelo mundo que nos cerca e que nos conduziam a abismos espirituais cada vez mais profundos, sem que muitas vezes nos apercebêssemos, o fogo abrasador do afastamento divino, consequência do pecado original, era infinitamente superior ao calor produzido pelos fornos utilizados para a confecção dos tijolos que aquele povo era obrigado a produzir para seus senhores no Egito.
Nossos corpos ardiam pelos prazeres pecaminosos, mas nossa alma se petrificava dia a dia e nosso coração, que em frangalhos, buscava em vão por momentos de refrigério. Quantos questionamentos não nos vinham à mente sem que soubéssemos de onde se originavam... Sabíamos que no momento em que estivéssemos à sós nossa visão da vida e satisfação pelos prazeres obtidos não seriam os mesmos. Havia um hiato entre o nosso presente e nosso futuro. Éramos náufragos em nós mesmos.
Quando olhamos para nossas vidas antes de nosso encontro pessoal com o Senhor Jesus, podemos nos transportar para aqueles momentos terríveis pelos quais passavam nossos irmãos judeus.
Quando Deus olhou para o sofrimento que aquele povo passava, contemplou toda a humanidade, quer estivessem residindo naquela poderosa nação, quer estivessem abrigados ou desabrigados no menor pedaço de terra no mais distante território desse mundo.
Deus amou e continua amando o povo judeu, mas João nos mostra que o Seu amor era e é muito mais amplo, quando diz que: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.16,17)
Quando Deus decidiu preservar Moisés para que libertasse um povo e o transformasse em uma nação sacerdotal, Ele estava olhando para cada um de nós e no momento certo, quando as condições humanas estivessem favoráveis para que Seu “plano” fosse colocado em ação, enviaria o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, para completar a obra que nenhum profeta por mais poderoso, humilde e dedicado que fosse poderia realizar: Salvar o ser humano e dar-lhe livre acesso à Sua presença gloriosa, e essa tarefa não poderia ser realizada por ninguém que fosse gerado em pecado, mas deveria ser concretizada por alguém que não apresentasse mácula alguma, que fosse revestido de autoridade espiritual para passar por esse mundo, vivendo as mesmas dificuldades e vicissitudes a que todo ser humano está sujeito, para que em vivendo assim, pudesse mostrar a todos nós que é possível viver uma vida reta e santa, apesar das evidências colocadas pelos homens serem contrárias.

Somente uma pessoa poderia realizar essa maravilhosa Obra de Redenção, não apenas física e temporal, mas espiritual e eterna: Jesus Cristo, o Verbo encarnado; a mais pura manifestação do infinito amor de Deus por suas criaturas.
Jesus passou por esse mundo e teve as mesmas dificuldades que todos nós temos: Foi desprezado e humilhado; perseguido e maltratado; rejeitado por aqueles que se diziam amigos e companheiros; abandonado por aqueles que nem um de nós acreditaria que pudessem fazê-lo; foi considerado como escória e por pregar e viver intensamente o amor de Deus foi considerado culpado e conduzido à morte para que se cumprissem as Escrituras.
Aquela sexta-feira que precedia o shabat era também a preparação para Pessach, o primeiro dia da celebração da festa.
No dia anterior todas as famílias judias haviam retirado de suas casas todos os alimentos fermentados, para que durante as festividades, não houvessem alimentos considerados impuros, mas naquele que seria o dia em que a família se reuniria em torno da mesa para contar a história do livramento material que Deus concedera aos seus antepassados, naquele mesmo dia, estavam crucificando Aquele que os havia libertado com mão forte do Egito e que agora viera cumprir o propósito daquele livramento, resgatando em Si mesmo, não apenas aquelas famílias que festejam em suas casas, mas toda a humanidade.
Aquela sexta-feira para nós e shabat para eles, representou um instante de sofrimento e dor inaudita, mas ao terceiro dia, no domingo, que a Cristandade festeja como sendo a Páscoa Cristã, Ele ressurgiu dos mortos para completar definitivamente a Sua Obra. Ele havia carregado sobre os ombros estirados naquele madeiro o pecado de toda a humanidade e a partir daquele momento concedeu a cada um que acreditasse naquela manifestação divina a oportunidade para que pudesse novamente se reconciliar com o Pai.
Ele não deixou escrito que deveríamos comemorar essa data com alimentos simbolizando as passagens adversas que tivemos em nossas vidas pecadoras, mas deixou-nos uma ordenança que mostra o quanto Ele ama, não apenas a nós que já O reconhecemos com Senhor e Salvador, mas o amor que nutri por todos quantos ainda não tiveram esse entendimento e que ainda jazem sob o jugo da escravidão do pecado e da morte espiritual. Ele disse: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.” (Jo 15.12-17)

E seguindo as ordens de Jesus, devemos compreender e demonstrar o Seu amor por toda a humanidade, mostrando que o dia de Pessach (livramento físico) e o dia da Páscoa (ressurreição espiritual) são todos os dias. Seguindo a orientação de Paulo a Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tm 4.2-4),“...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15,16)

Que o Senhor Jesus nos dê um coração amoroso e compassivo, que identifique em nossos irmãos não apenas a necessidade de um livramento físico e material da escravidão das dificuldades que a vida apresenta (Pessach), mas principalmente, que Ele nos ajude a identificar em nossos próprios corações a necessidade de livrar nossos irmãos da escravidão do pecado e da morte espiritual (Páscoa).
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo.


3 comentários:

  1. Meu querido irmão Antonio Carlos, quanto tempo em!!, mais sempre que posso passo para ler suas postagens, um grande abraço paz e graça!!

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  2. DANIEL BEN AVRAHAN8 de julho de 2011 15:44

    shabat shalom chaver!
    havia deixado de ler suas postagens mas acabo de encontra-lo,continua muito bom,que Hashem ilumine seus passos e que muitos irmãos judeus possam encontram aqui um lugar de repouso....
    lama,lama ma nikra moriah....
    daniel ex- jami rsrsrs

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  3. Shabat Shalom chaver Daniel, todá rabá!!!
    Ma shlomchá? Hacól, sababa?
    Foi muito bom receber sua visita e comentário, você e sua irmã estão relacionados no rol dos amigos queridos.
    Gostaria de receber notícias suas, acredito que seu endereço de e-mail mudou, por isso escreva para o meu e-mail: a.carlos@procurandoosperdidos.com pra contar as novidades:“Ben avrahan”, Atá baal teshuvá? Kama zman?
    Que Hashem, na pessoa de Yeshua haMassiach, te conduza em triunfo hoje e sempre.
    Antonio Carlos, aprendiz de servo

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