sábado, 25 de setembro de 2021

Será que estamos levando a sério o Evangelho do Senhor Jesus?

  


A cada dia que passa nos deparamos com uma forma de Cristianismo ou de pregação do Evangelho, cada vez mais espelhada nos moldes mundanos e distanciadas do que realmente a Palavra de Deus nos ensina e nos exorta a viver.
As frases de efeito relacionadas com a Palavra de Deus estão por toda parte. São verdadeiros tratados de marketing, dignos de mentes altamente capacitadas, para atrair a atenção daqueles que as leem.
É comum vermos nas ruas, carros com adesivos alusivos ao que Deus fez ou costuma fazer para aqueles que O seguem:
“ DEUS É FIEL!”
“ PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE JESUS!”
“ A SERVIÇO DO REI JESUS”
“ TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
“ PRESENTE DE DEUS”
Seria melhor pararmos por aqui, mas há uma que li pela primeira vez hoje quando estava retornando para minha casa e estava estampada com letras garrafais no vidro traseiro de um carro, novinho em folha é claro, e que me levou a escrever esse artigo. Diz o cartaz: “O SEGREDO DO MEU SUCESSO É JESUS”.
Não é de hoje o meu caminhar com o Senhor, e apesar de me considerar um eterno “aprendiz de servo do Senhor Jesus Cristo”, já vi muitas coisas nessa trajetória, e infelizmente verei muitas ainda, mas o que estão fazendo com a Palavra de Deus chega a ser decepcionante, para não termos de usar aqui algum termo mais adequado para alguém que usa da Palavra com tanto desdém, infantilidade e menosprezo, mercantilizando essa Palavra tão preciosa, e ainda têm a capacidade de aporem o nome do Senhor Jesus na maioria desses adesivos.
É impressionante o fato de nunca termos visto esses adesivos afixados nos carrinhos dos catadores de papel ou de outros materiais recicláveis, mas na sua maioria em carros novos e ao lado do logotipo de empresas, como a dizer que a empresa é abençoada porque os donos são crentes, mas muitas vezes esses mesmos donos participam de negociatas para verem vendidos os seus produtos, comercializam mercadorias sem a emissão de notas fiscais e por aí vai.
 Não estamos aqui para fazer apologia à pobreza e à miséria, como se para sermos cristãos verdadeiros tivéssemos que passar por necessidades materiais, mesmo porque a Palavra de Deus garante o Seu cuidado para com aqueles que a Ele se entregam sinceramente.
Queremos deixar aqui nossa indignação porque na maioria das vezes esses “propagandistas” ou “garotos (as) propaganda” que adesiva seus veículos com esses dizeres, nem ao menos conhecem a Palavra do Deus que eles garantem lhes deu aquele bem, que muitas vezes também, nem pago está, e que, não poucas vezes foram comprados “pela fé” como dizem alguns sem o saberem como os pagarão. O importante é ostentar, mostrarem-se aos outros como sendo vitoriosos, ou seja: viverem o que não são, viverem de aparências.
Se voltarmos um pouco no tempo vamos constatar que ser cristão era um verdadeiro desafio e não um hobbie como muitos acreditam hoje em dia. Porque para muitos, hoje em dia, é até chique se dizer cristão, evangélico, “gospel”, porque ao contrário de nossos antepassados na fé, que eram tratados como pessoas incultas - muitas até mesmo analfabetas -, hoje são as pessoas cultas e bem vestidas que frequentam as igrejas evangélicas, com seus carrões último tipo.
Vamos analisar os textos colocados fora de contexto:

“DEUS É FIEL!”
Sim Deus é fiel e poderoso para nos dar tudo aquilo que estiver em Seu coração para nossa vida, mas Deus é fiel só por que nos deu aquele bem no qual afixamos o adesivo?
Quando negociamos de forma desonesta e afixamos o cartaz na entrada de nossa empresa ou comércio estamos sendo fiéis a Deus e à sua Palavra?
Se viermos a perder o negócio por uma falha administrativa, Deus passará a ser infiel? (que Ele tenha misericórdia, até por o mencionarmos um absurdo desses).

“PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE JESUS!” e “A SERVIÇO DO REI JESUS”
Se o carro é propriedade exclusiva de Jesus porquê o motorista o está usando?
Se é propriedade exclusiva de Jesus como o seu usuário pode vendê-lo para adquirir outro?
Se é propriedade exclusiva de Jesus como pode haver carros com busca e apreensão, se Jesus é o dono do ouro e da prata?
 Se é propriedade exclusiva de Jesus como ele pode ser usado para uma função que nada tem a ver com a preparação do Reino de Deus? Não deveria ser utilizado exclusivamente na obra de Deus, já que o adesivo diz que ele está “a serviço do Rei Jesus”?

“TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
Esse texto se bem aplicado é uma bênção para todos quantos o conhecem, mas será que é conhecido por todos aqueles que o leem? Será que os que o leem sabem quem o pronunciou ou em quais circunstâncias?
Sabem o contexto desse versículo? Sabem das lutas enfrentadas e narradas na Carta aos Filipenses Capítulo 4. Estariam dispostos a passar pelos mesmos dissabores e ainda assim declarar “Posso todas as coisas naquele que me fortalece?
Frases esparsas muitas vezes não atingem o objetivo esperado.

“PRESENTE DE DEUS”
Será que somente os crentes em Jesus Cristo conseguem adquirir bens nesse mundo ou mesmo entender que eles foram presentes de Deus?
Por volta do inicio dos anos 90 eram comum frases como:
“ JESUS MUDOU MEU VIVER”
“ DISSE JESUS: EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA”
“ VIDA PRECIOSA A BORDO”
“ JESUS TE AMA”
Não quero dizer que esses adesivos não são mais colocados em muitos veículos ou até mesmo em alguns locais, mas não são tão frequentes quanto os citados anteriormente, porque não causam nenhum efeito no que diz respeito à conquista de bens materiais, mas dizem respeito a coisas espirituais e ao perfil de seu ocupante.
Certa feita, assistindo a um Telejornal da manhã havia uma reportagem em um shopping e a repórter estava em frente a uma loja qualquer e havia uma frase escrita na vitrine “DEUS NÃO PODE ESTAR EM TODO LUGAR POR ISSO EXISTEM AS MÃES”. A repórter perguntou para uma mulher que estava em frente à loja: “O que você acha dessa frase?” A mulher respondeu: “PERFEITA”. Nem é preciso comentar muito. Se a pessoa acredita que Deus não pode estar em todo lugar é porque ela com certeza não conhece nada sobre Ele (quem teve a péssima ideia da frase ou o que pode ser mais acertado: ela ( mulher que respondeu à repórter? nem prestou atenção no que realmente estava escrito e se pronunciou a respeito sem nem mesmo analisar o que diria.
A Palavra de Deus nos adverte em Deuteronômio 5:11: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”
Muitos poderão dizer que não tenho o direito de julgar o procedimento dos que assim procedem, mas quero dizer a esses que assim entendem que quem os julga é a Palavra de Deus e quando a Palavra de Deus não está sendo empregada em algo que edifique e até mesmo chegue a ser ridicularizada, que Deus tenha misericórdia, nós, como cristãos que procuramos viver e anunciar essa Palavra temos, não o direito, mas o dever de repreender os que assim procedem para que se voltem para a Palavra de Deus.
Preferimos nem comentar os que usam textos bíblicos para tatuarem seus corpos, e muitos até mesmo envolvidos em crimes e tráfico de drogas, como aconteceu com um assaltante que foi preso e tinha tatuado o começo do salmo 23 “O Senhor é meu Pastor”.
Precisamos nos apresentar como obreiros aprovados como disse Paulo a Timóteo:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2.15)
Quando fomos alcançados pela graça remidora do Senhor Jesus Cristo passamos a viver uma nova realidade: que é a de fazer parte de uma família espiritual que vai morar com Ele eternamente nos céus, em um local que Ele nos preparou.
Se desejarmos fazer alguma “propaganda” do que Deus realizou em nossas vidas devemos fazê-la para engrandecer-Lhe o nome e isso se faz cumprindo Sua ordem dada em Marcos 16.15-18 quando nos ordenou claramente: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.”
Que sinais seguirão aos que creem:
Terão o melhor carro?
Terão a melhor casa do bairro?
Terão a maior conta bancária?
Não passarão por nenhuma dificuldade? Coitados dos Missionários e de suas famílias...
Não sofrerão perseguição? Procurem conhecer a vida do apóstolo Paulo e de tantos homens e mulheres de Deus que têm morrido por amor ao evangelho na Igreja perseguida em nossos dias.
Não terão nenhuma enfermidade?

Jesus nos consola com essas Palavras:
Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mateus 6.25-34)

‘Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16.33)

            Reflitamos no foi escrito e respondamos a nós mesmos as seguintes perguntas:

1)    Será que estamos levando a sério o Evangelho do Senhor Jesus Cristo ou estamos levando a vida como ela quer nos levar?
2)    Temos anunciado o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus ou estamos anunciando uma palavra mentirosa?
3)  Temos anunciado uma Palavra do Poder de Deus para a Salvação (Romanos 1.16) ou um evangelho de resultados macroeconômicos?
4)    O que temos anunciado fará com que nossos ouvintes sejam recebidos no Céu ou continuem destinados ao Inferno?
5)   Você acredita realmente que todo cristão deve ser “cabeça” e não “cauda” e por isso deve obter mais bênçãos materiais que os demais? Se acredita, aconselho que leia melhor a Palavra de Deus e busque um entendimento correto da mesma.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e que possamos seguir as pegadas do Apóstolo Paulo (esse sim Apóstolo e mesmo assim se achava indigno do "título"):
Porque vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera; mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta. Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.” (I Tessalonicenses 2.1-6)


Antonio Carlos, aprendiz de servo

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

NOTA DE ESCLARECIMENTO - Como me vejo na obra de Deus



Nota de esclarecimento:
Como me vejo na obra de Deus.

            Graça e paz!
Em razão do considerável número de pessoas que têm me seguido pelas diversas redes sociais que administro e das Revistas que disponibilizava mensalmente através do Projeto Procurando os Perdidos, preciso esclarecer alguns pontos que para muitos possam parecer de somenos importância, mas que para mim são de imenso valor pessoal.
            Não poucas vezes me vi impulsionado a criticar a posição adotada por alguns líderes cristãos que não satisfeitos com o título de pastor ou pastora, por conta própria, e em alguns casos apoiados por seus liderados, decidiram intitular-se “apóstolos” e “apóstolas”.
            Desnecessário mencionar novamente que os que adotaram esse sistema ou preferiram andar por esse caminho de pura vaidade, não encontram embasamento bíblico para isso. Mas esse meu posicionamento servirá apenas de pano de fundo para o que escrevo a seguir.
            Com todo ser humano, algumas coisas me incomodam mais e outras menos, mas uma das que me incomodam profundamente é quando recebo títulos de que não me acho merecedor, por essa razão decidi tornar público esse incômodo.
            Pelo fato de eu ter me bacharelado em Teologia em um Seminário Batista, ter escrito alguns livros com temas teológicos, participar como cooperador digital de atividades missionárias na Igreja em que congrego ou por editar e disponibilizar mensalmente uma Revista Teológica, muitas pessoas, carinhosamente ou até mesmo pelo fato da minha formação teológica, decidiram me chamar de pastor ou homem de Deus em muitas de minhas postagens ou mensagens via Whatsapp.
            Quero agradecer a todos que carinhosamente assim me intitulam, apesar de eu sempre ter negado a ambos os títulos.
Todavia, venho esclarecer porque os nego: simplesmente porque não sou nem uma coisa nem outra: não sou pastor e nem me considero homem de Deus, pois ambos os títulos carregam em si uma carga de santificação e comprometimento com a obra de Deus que nem de longe eu tenho.
O que faço para a obra missionária, não se relaciona a projeção pessoal, mas o faço simplesmente por três motivos que se interligam:
1) Amor a Deus;
2) Reconhecer o esforço de abnegados missionários que pessoalmente conheço ou de Agências Missionárias que reputo sérias e comprometidas com a ordenança de Jesus em relação ao IDE, procurando, na medida do possível, colaborar com eles, divulgando as atividades de seus projetos;
3) Alcançar os perdidos que não conhecem a Cristo.

Não sou mais um pregador de púlpito. Meu tempo nesse tipo de divulgação do Evangelho já passou e se no passado fui ou não aproveitado ou se eu mesmo o negligenciei isso não vem ao caso neste momento. Certo é que não me acho à altura deste propósito divino. Existem muitos irmãos que se dedicam a esse chamado.
Não sendo pastor, homem de Deus ou pregador, o que de fato me considero? Aprendiz de servo, como assino em todas as minhas publicações ou simplesmente mais um filho de Deus, graça essa, alcançada pela misericórdia divina.
Definitivamente, não precisamos de títulos para servir a Deus dentro ou fora da igreja local. Para Deus, importa mais o que fazemos e não do nos rotulam.

Diante de tudo que expus, gostaria encarecidamente de pedir a todos os meus amigos (as) que não utilizem mais esses títulos em relação a mim, use-os apenas àqueles que de fato o merecem.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo

domingo, 5 de abril de 2020

Pessach Judaica e a Páscoa Cristã! O que elas podem nos ensinar?

Esse ano, particularmente as datas coincidiram: os últimos dias da Páscoa judaica (Pessach) serão intercalados pelo dia em que a Cristandade comemora o domingo de Páscoa (12/abril).
Para muitos, as datas não têm nenhuma relação entre si, mas analisando com calma podemos verificar que existem muitas semelhanças e simbologias que apontam, pelo menos no meu humilde entendimento, para a Pessoa e a Obra Redentora do nosso Senhor Jesus Cristo e gostaria de deixar claro que não tenho por objetivo estabelecer nenhum estudo teológico, mas simplesmente procurar identificar, através dos símbolos e características que existem entre as duas datas, que eles nos levam a confirmar o grande amor e a infinita misericórdia de Deus por cada um de nós.
Durante 430 anos o povo hebreu residiu no Egito, sendo que na maior parte desse período viveu em regime de escravidão. A Palavra de Deus nos mostra que ao sentirem o peso que aquela situação estava gerando, principalmente no que dizia respeito à incerteza no futuro, começaram a clamar a Deus em busca de alívio ou quem sabe da própria libertação daquele jugo cruel.

Talvez no coração daquele povo oprimido, o simples fato de serem reconhecidos como seres humanos por parte das autoridades e do povo egípcio já seria suficiente para fazer deles pessoas mais felizes.

Quantos de nós não nos sentimos assim às vezes?
Quantos de nós não almejamos ao menos um pouco de simpatia por parte dos que nos rodeiam? Nem precisa ser aquela simpatia “melosa”, onde ficam nos elogiando e valorizando o tempo inteiro. Para muitos de nós, apenas um olhar carregado de amor e uma mão estendida em sinal de ajuda já seriam mais que suficientes para mostrar que somos importantes não pelo que possuímos, mas pelo que somos: Seres humanos, formados à imagem e semelhança de Deus, que a todos ama indistintamente.
Quantas pessoas passam por essa vida sem ao menos se sentirem amadas ou quem sabe, notadas por alguém?
Aquele povo sentia-se assim: desamparado e perdido em meio a tanto sofrimento, e Deus, ouvindo o seu clamor e “entendendo” que estava na hora de receberem o livramento tão esperado levantou um homem, criado como filho da filha de Faraó, mas que carregava em suas veias e em seu coração o sangue e a esperança de uma nação em formação. Esse homem chamava-se Moisés. Destinado à morte pelos homens em seu nascimento, fora preservado pela mão protetora do Senhor para, há Seu tempo, livrar o povo hebreu do jugo da escravidão a que estavam destinados desde o momento em que o povo daquela nação (Egito) começou a olhar para eles com desprezo e inveja por presenciarem as bênçãos que recebiam Daquele que buscavam como sendo o Deus Único, que havia feito um pacto com seus antepassados, os patriarcas, e que havia dito a Abraão que faria de sua descendência uma numerosa nação.

Verdadeiramente aquele povo tinha motivos para acreditar no livramento, mas quantos realmente criam que ele viria algum dia? Afinal, toda aquela geração havia suportado o peso da escravidão e talvez nem soubesse viver em liberdade, pois ela traria em seu bojo a responsabilidade pessoal e coletiva pelos atos praticados.
Todos conhecem a maravilhosa narrativa do livramento que Deus concedeu ao povo hebreu. Desde a saída gloriosa do Egito, até a abertura do mar Vermelho, ante os olhos estupefatos de todos aqueles que confiaram nas palavras de Moisés e nas manifestações de Poder exibidas pelo Senhor diante de Faraó e de seus comandados.
Para o povo judeu, esse dia Santo celebra, certamente, o mais importante evento de sua história, pois representa a redenção de sua escravidão no Egito e a sua saída rumo à terra da promessa.
Aquele povo, assim que se viu livre das garras de seus algozes, celebrou com jubilo o grande livramento concedido pelo Senhor.

Na festa de Pessach alguns símbolos são colocados sobre a mesa de refeições que une toda a família. É o momento de contar toda a história desse grande livramento e das recomendações para que nunca deixem de reproduzi-la principalmente para as crianças.
Sobre a mesa são colocados os seguintes ingredientes, dispostos sobre três matzot (plural de Matzá (pão não fermentado) que representam o Povo Judeu em sua totalidade – a de cima representa os Cohanim (sacerdotes), a do meio os Leviim (levitas) e as de baixo os Israelim (povo) – e os Sefaradim (Judeus espanhóis) as colocam em cima da parte superior da bandeja e os Ashquenazim (Judeus alemães) costumam colocá-las na parte inferior da mesma.

Zero’á ou Zeroá – que significa braço, em hebraico, simboliza o Braço poderoso com que Deus tirou o povo hebreu do Egito. Representando o Corban Pessach – isto é, o cordeiro que se oferecia no Templo na véspera de Pessach, é colocado no canto superior, à direita. Os sefaradim costumam usar um “braço” de cordeiro ou vitela, enquanto os ashquenazim, um osso da perna, asa ou pescoço de frango, mas pode-se usar qualquer osso tostado com carne.

Beitzá ou Betsá: Ovo cozido, colocado no canto superior da bandeja, à esquerda, lembra o Corban Chaguigá, o segundo sacrifício oferecido em Erev Pessach. Usa-se o ovo, tradicional símbolo de luto, como sinal de tristeza pela destruição do Templo Sagrado de Jerusalém.

Maror: Erva amarga, colocada no centro da bandeja, simboliza a amargura e o sofrimento impostos aos judeus, enquanto escravos no Egito. Costuma-se usar uma verdura amarga, como escarola ou alface romana. Pode-se usar também outro tipo de alface ou endívia. Os ashquenazim usam a raiz forte (chrein).

Charoset: Mistura de nozes, amêndoas, tâmaras, maçãs, canela e vinho. Cada família deve prepará-la segundo seu costume. Coloca-se à direita, na bandeja. Representa a argamassa usada pelos judeus na construção das edificações do Faraó e o trabalho pesado a que eram obrigados.

Karpas ou Carpas: Salsão, colocado no quadrante inferior esquerdo da bandeja. Lembra o hissopo (Ezov), usado pelos Filhos de Israel para aspergir sangue nos batentes das suas casas, antes da praga dos primogênitos. Os ashquenazim usam salsinha, cebola ou batata. Essa verdura introduz o tema principal do Êxodo – a liberdade. Molha-se a verdura em água salgada ou vinagre, como lembrança das lágrimas derramadas e do suor incessante e calor causticante durante o trabalho escravo.

Chazéret – Costuma-se usar alface romana colocada na bandeja abaixo do Maror.

Além disso, fora da Keará (bandeja), colocam-se sobre a mesa:
- Um recipiente com água salgada, no qual se mergulham as verduras, para lembrar o mar.
- Uma taça para cada um dos representantes, contendo, cada taça, no mínimo 86ml de vinho (valor numérico de Cós, copo).

Para o povo judeu, Pessach significa o livramento humano concedido por Deus ao povo escolhido, mas para nós, cristãos, a Páscoa significa muito mais que um livramento físico, trata-se de um livramento espiritual que estende-se por toda a eternidade.
A Palavra de Deus nos mostra em Gálatas 4.4-7 que: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”
À semelhança do povo judeu, todos nós, também estávamos sob o extenuante jugo e suportávamos o peso da escravidão do pecado que nos corroía por dentro e que nos distanciava cada vez mais do relacionamento divino.
Para nós que vivíamos agarrados às ofertas de prazeres oferecidos pelo mundo que nos cerca e que nos conduziam a abismos espirituais cada vez mais profundos, sem que muitas vezes nos apercebêssemos, o fogo abrasador do afastamento divino, consequência do pecado original, era infinitamente superior ao calor produzido pelos fornos utilizados para a confecção dos tijolos que aquele povo era obrigado a produzir para seus senhores no Egito.
Nossos corpos ardiam pelos prazeres pecaminosos, mas nossa alma se petrificava dia a dia e nosso coração, que em frangalhos, buscava em vão por momentos de refrigério. Quantos questionamentos não nos vinham à mente sem que soubéssemos de onde se originavam... Sabíamos que no momento em que estivéssemos à sós nossa visão da vida e satisfação pelos prazeres obtidos não seriam os mesmos. Havia um hiato entre o nosso presente e nosso futuro. Éramos náufragos em nós mesmos.
Quando olhamos para nossas vidas antes de nosso encontro pessoal com o Senhor Jesus, podemos nos transportar para aqueles momentos terríveis pelos quais passavam nossos irmãos judeus.
Quando Deus olhou para o sofrimento que aquele povo passava, contemplou toda a humanidade, quer estivessem residindo naquela poderosa nação, quer estivessem abrigados ou desabrigados no menor pedaço de terra no mais distante território desse mundo.
Deus amou e continua amando o povo judeu, mas João nos mostra que o Seu amor era e é muito mais amplo, quando diz que: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.16,17)
Quando Deus decidiu preservar Moisés para que libertasse um povo e o transformasse em uma nação sacerdotal, Ele estava olhando para cada um de nós e no momento certo, quando as condições humanas estivessem favoráveis para que Seu “plano” fosse colocado em ação, enviaria o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, para completar a obra que nenhum profeta por mais poderoso, humilde e dedicado que fosse poderia realizar: Salvar o ser humano e dar-lhe livre acesso à Sua presença gloriosa, e essa tarefa não poderia ser realizada por ninguém que fosse gerado em pecado, mas deveria ser concretizada por alguém que não apresentasse mácula alguma, que fosse revestido de autoridade espiritual para passar por esse mundo, vivendo as mesmas dificuldades e vicissitudes a que todo ser humano está sujeito, para que em vivendo assim, pudesse mostrar a todos nós que é possível viver uma vida reta e santa, apesar das evidências colocadas pelos homens serem contrárias.

Somente uma pessoa poderia realizar essa maravilhosa Obra de Redenção, não apenas física e temporal, mas espiritual e eterna: Jesus Cristo, o Verbo encarnado; a mais pura manifestação do infinito amor de Deus por suas criaturas.
Jesus passou por esse mundo e teve as mesmas dificuldades que todos nós temos: Foi desprezado e humilhado; perseguido e maltratado; rejeitado por aqueles que se diziam amigos e companheiros; abandonado por aqueles que nem um de nós acreditaria que pudessem fazê-lo; foi considerado como escória e por pregar e viver intensamente o amor de Deus foi considerado culpado e conduzido à morte para que se cumprissem as Escrituras.
Aquela sexta-feira que precedia o shabat era também a preparação para Pessach, o primeiro dia da celebração da festa.
No dia anterior todas as famílias judias haviam retirado de suas casas todos os alimentos fermentados, para que durante as festividades, não houvessem alimentos considerados impuros, mas naquele que seria o dia em que a família se reuniria em torno da mesa para contar a história do livramento material que Deus concedera aos seus antepassados, naquele mesmo dia, estavam crucificando Aquele que os havia libertado com mão forte do Egito e que agora viera cumprir o propósito daquele livramento, resgatando em Si mesmo, não apenas aquelas famílias que festejam em suas casas, mas toda a humanidade.
Aquela sexta-feira para nós e shabat para eles, representou um instante de sofrimento e dor inaudita, mas ao terceiro dia, no domingo, que a Cristandade festeja como sendo a Páscoa Cristã, Ele ressurgiu dos mortos para completar definitivamente a Sua Obra. Ele havia carregado sobre os ombros estirados naquele madeiro o pecado de toda a humanidade e a partir daquele momento concedeu a cada um que acreditasse naquela manifestação divina a oportunidade para que pudesse novamente se reconciliar com o Pai.
Ele não deixou escrito que deveríamos comemorar essa data com alimentos simbolizando as passagens adversas que tivemos em nossas vidas pecadoras, mas deixou-nos uma ordenança que mostra o quanto Ele ama, não apenas a nós que já O reconhecemos com Senhor e Salvador, mas o amor que nutri por todos quantos ainda não tiveram esse entendimento e que ainda jazem sob o jugo da escravidão do pecado e da morte espiritual. Ele disse: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.” (Jo 15.12-17)

E seguindo as ordens de Jesus, devemos compreender e demonstrar o Seu amor por toda a humanidade, mostrando que o dia de Pessach (livramento físico) e o dia da Páscoa (ressurreição espiritual) são todos os dias. Seguindo a orientação de Paulo a Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tm 4.2-4),“...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15,16)

Que o Senhor Jesus nos dê um coração amoroso e compassivo, que identifique em nossos irmãos não apenas a necessidade de um livramento físico e material da escravidão das dificuldades que a vida apresenta (Pessach), mas principalmente, que Ele nos ajude a identificar em nossos próprios corações a necessidade de livrar nossos irmãos da escravidão do pecado e da morte espiritual (Páscoa).
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo.


sexta-feira, 13 de março de 2020

Conselhos para os preguiçosos



Conselhos para os preguiçosos.

Por Charles H. Spurgeon

Dar conselho aos ociosos é tão inútil quanto despejar água em uma peneira; do mesmo modo, tentar aperfeiçoá-los é como tentar engordar um galgo. O Antigo Testamento já nos dizia para amassar nosso pão com água, se amassarmos uma ou duas cascas duras nesses charcos estagnados sempre nos restará ainda um consolo: se as pessoas preguiçosas não se tornam melhores quando semeamos bom senso, não tornamos piores por tentar adverti-las e não colhermos nada. Repreender preguiçosos é como ter um pedaço duro de solo para arar em que, com certeza, a colheita será menos farta. Mas se apenas a terra boa tivesse de ser cultivada, os lavradores poderiam se afastar do trabalho, e nós só teríamos de pôr o arado no sulco. Homens preguiçosos são muito comuns e crescem sem que seja necessário cultivá-los, mas a quantidade de sagacidade que existe em muitos deles seria insuficiente para pagar a aração: não é necessário nada para provar isso além do nome e do caráter deles, se não são tolos, são preguiçosos, e conforme diz Salomão: "O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso", já aos olhos de todos os outros, sua tolice é tão clara como o sol no céu. Se os ataco duramente, ao falar com eles, é porque sei que podem aguentar, pois se eles estivessem caídos no chão do celeiro, eu precisaria surrá-los muito antes de conseguir tirá-los da palha, e nem mesmo a debulhadora a vapor conseguiria fazer isso. Ela os mataria antes de conseguir levantá-los da palha, pois a preguiça está nos ossos de algumas pessoas e mostra-se em sua carne ociosa, faça você o que fizer com elas.

            Bem, por isso, antes de tudo me parece que pessoas preguiçosas deveriam obrigatoriamente ter um grande espelho pendurado onde fossem obrigadas a se ver, com certeza, no final, se os olhos delas forem como os meus, não suportariam olhar para si mesmas por muito tempo ou com frequência. A visão mais horrível do mundo é a de um desses vadios autênticos que dificilmente seguraria sua vasilha de comida se chovesse mingau de aveia e, com certeza, jamais seguraria um pote em que coubesse mais comida do que a necessária para si mesmo. Talvez, se a chuva fosse de cerveja, ele conseguisse despertar um pouco, mas acabaria de encher o copo depois. Provérbios descreve esse homem: "O preguiçoso põe a mão no prato, e não se dá ao trabalho de levá-la à boca". Acho que esse tipo de homem deveria ser tratado como os zangões que as abelhas expulsam das colmeias. Todo homem deve ter paciência e piedade pela pobreza, mas para a preguiça seria melhor um chicote comprido ou uma volta pela roda do moinho. Esse poderia ser um purgante saudável para todos os preguiçosos. Mas seria muito difícil para alguns deles conseguir sua dose completa de medicamento, pois eles nasceram ricos, mas a riqueza não faz nada sozinha, ela precisa que alguém lhe empreste a mão. Como diz o velho ditado: "O preguiçoso é como o cão que encosta a cabeça na parede para latir" ou como as ovelhas preguiçosas para quem é muito trabalhoso carregar a própria lã. Seria muito útil se pudessem se ver, mas talvez fosse muito trabalho abrirem os olhos, mesmo que segurassem os óculos para eles.

            Tudo no mundo tem alguma utilidade, mas o doutor em teologia, o filósofo ou a coruja sábia, em seu campanário, quebrariam a cabeça para descrever a utilidade da preguiça, ela me parece ser um vento mau que não sopra nada de bom para ninguém, um tipo de lodo onde as enguias não se reproduzem, um fosso sujo que não consegue alimentar nem mesmo um sapo. Peneire um preguiçoso, grão a grão, e não encontra nada de bom. Tenho ouvido pessoas dizerem que é melhor não fazer nada que promover a desordem, mas não estou bem certo disso, essas palavras brilham, mas não acredito que sejam ouro. É uma preguiça maléfica apesar da pitada de louvor; digo que a preguiça é má, e é de todo má. Por sorte, um homem que promove desordem é um pardal apanhando milho, mas um homem preguiçoso é um pardal sentado em um ninho cheio de ovos, que se transformarão em pardais e, em breve, causarão um monte de feridas. Não é necessário que me digam, tenho certeza – a erva daninha mais ordinária da terra não cresce na mente daqueles que estão ocupados com maldades, mas nas inquietações impuras criadas pela imaginação dos homens preguiçosos em que o mal se esconde sem ser visto, como a velha serpente, que ele realmente é. Não gosto que os nossos jovens se envolvam em desordem, eu preferiria vê-los com lodo até o pescoço que saracoteando por aí sem nada para fazer. Se hoje o mal de não fazer nada parece menor, amanhã, vocês descobrirão que ele é maior; o diabo põe carvão no fogo, e, assim, o fogo não arde, mas em função disso será um fogo muito maior no final. Preguiçosos, vocês têm de ser seus próprios trombeteiros, pois mais ninguém pode achar algo de bom em vocês para louvar. Eu gostaria de ver você através de um telescópio, pois certamente isso implicaria que você estaria muito distante; entretanto, nem mesmo os maiores óculos da igreja conseguiriam ver algo de valor em você. A respeito das toupeiras, dos ratos e das doninhas ainda há algo para se falar, mesmo que a visão deles pregados em nosso velho celeiro seja bonita; quanto a vocês, só serão úteis na sepultura ao ajudarem a aumentar o cemitério, mas eu não posso entoar uma canção em seu favor melhor que este verso, conforme disse o sacristão da igreja, pecado da minha própria composição:
Um preguiçoso desajeitado, bom para nada. Pecaminoso por dentro e esfarrapado por fora. Quem se importa em tê-lo por perto? Expulsem-no! Expulsem-no!
"Como o vinagre para os dentes, e a fumaça para os olhos", assim é o preguiçoso para o homem que sua para ganhar a vida honestamente, enquanto esses indivíduos deixam o mato crescer até os tornozelos e, como diz a Bíblia, atravancam a terra.

            O homem que perde seu tempo e sua força com a indolência se oferece como alvo para o diabo, que é um atirador extraordinariamente bom e perfurará o preguiçoso com seus tiros; em outras palavras, o homem preguiçoso atenta o diabo a tentá-los. Aquele que joga quando deveria trabalhar enfeitiça um espírito do mal para ser seu parceiro; e aquele que nem trabalha nem joga é uma oficina à disposição de Satanás. Se o diabo capturasse um homem preguiçoso, ele o poria para trabalhar, faria com que ele encontrasse ferramentas e, depois de muito tempo, pagaria um salário a ele. Não é daí que vem a embriaguez que enchem nossas cidades e vilas de miséria? A preguiça é a chave para a penúria e a raiz de todo o mal. O homem que não tem estomago para trabalhar tem dois para comer e beber. Nas horas de preguiça, aquele pequeno buraco logo abaixo do nariz engole o dinheiro que colocaria agasalhos nos ombros das crianças e pão na mesa dos casebres. A palavra de Deus afirma: "Os bêbados e os glutões se empobrecerão", e o versículo mostra a ligação entre eles ao concluir: "E a sonolência os vestirá de trapos".Sei disso do mesmo modo que sei que o musgo cresce nos telhados velhos e que o hábito de se embriagar brota das horas de preguiça. Eu aprecio o lazer quando posso usufruir dele, mas isso é completamente diferente; uma coisa é pau, a outra é pedra.

            Gente preguiçosa não sabe o que é lazer; está sempre com pressa e bagunçado, pois como negligencia o trabalho no momento certo sempre tem muito o que fazer. Ficar na indolência, hora após hora, sem fazer nada é o mesmo que fazer buracos na cerca para deixar os porcos passarem, e eles passarão – não se engane, pois os buracos que farão ninguém vê, exceto aqueles que cuidam do jardim. O próprio Senhor Jesus nos disse que enquanto os homens dormem, o inimigo semeia a praga; isso está muito certo, pois o mal entra no coração muito mais frequentemente pela porta da preguiça que por qualquer outra. Nosso velho pastor costumava dizer: "Um preguiçoso é a melhor matéria prima para o diabo, ele pode criar qualquer coisa desde um ladrão até um assassino". Não sou o único a condenar os preguiçosos, certa vez, eu ia entregar ao nosso pastor a longa lista dos pecados de uma das pessoas a respeito de quem ele havia me questionado, eu comecei dizendo: "Ela é terrivelmente preguiçosa". No mesmo momento, ele disse: "É o suficiente; todos os tipos de pecados estão nesse, ele é o sinal para conhecer um pecador cheio de pecados".

            Meu conselho para os jovens é: "Saiam do caminho da preguiça, pois vocês podem pegar essa doença e nunca se livrar dela". Tenho sempre medo de que eles aprendam o caminho da preguiça e fico muito atento para perceber qualquer coisa desse tipo logo no início; pois como vocês sabem, é melhor matar o leão enquanto é filhote.

            Certamente, nossos filhos carregam nossa natureza negativa neles, por isso podemos vê-la crescendo como erva daninha em um jardim. Quem consegue tirar ao limpo do que não é limpo? O ganso selvagem não choca o ovo quebrado. Nossos garotos saem para a vida apenas com seus aspectos negativos, a não ser que, desde o início, tornemos nosso lar um local tranquilo e bastante atraente para eles e os treinemos a odiar a companhia dos indolentes. Não os deixe ir ao bar "Rosa e a Coroa", faça-os, enquanto são jovens, aprender a ganhar uma coroa e cultivar as rosas no jardim de seus pais. Criem os jovens como abelhas, e eles não serão zangões, vadios.

            Atualmente, há muito a se dizer em relação a mestres e mestras incompetentes. Ouso dizer que há algo de bom nisso, pois, há incompetentes de todos os tipos hoje, como sempre houve. Em outra ocasião, se me permitirem, darei uma palavra sobre o assunto; mas tenho certeza de que há muito espaço para censura, mesmo entre as pessoas trabalhadoras, especialmente em relação à preguiça. Vocês sabem que somos obrigados a arar com o gado que temos à disposição; mas quando tenho de trabalhar com certos homens, preferiria dirigir uma equipe de lesmas ou ir à caça de coelhos com um furão morto. Porque de imediato seria mais fácil tirar leite de pedra ou suco de cortiça do que conseguir resultados com alguns deles; mesmo porque eles estão sempre falando dos seus direitos. Eu gostaria que eles examinassem os próprios erros, em vez de se encostarem às alças do arado. Afinal, preguiçosos e dorminhocos não são trabalhadores, não passam de porcos, bois ou cardos em macieiras. Nenhum deles faz parte do grupo de caçadores que se veste com paletós vermelhos, e nenhum deles é trabalhador ou se denomina assim. Às vezes, eu gostaria de saber porque alguns de nossos empregadores mantêm afinal tantos gatos que não caçam ratos. Seria mais fácil eu deixar minhas moedas caírem em um poço que pagar para pessoas que apenas fingem trabalhar. Vê-las todos os dias se arrastando sobre uma folha de repolho, é algo que apenas nos irrita e faz nossa carne ferver. Viva e deixe viver, digo eu, mas não inclua os preguiçosos nessa licença. "Não dê comida aos que não trabalham".

            Talvez seja o momento adequado para dizer que algumas pessoas das classes mais altas, como são chamados, dão um exemplo vergonhoso em relação a isso, alguns abastados são quase tão preguiçosos quanto ricos, e, muitas vezes, até mais. As ratazanas dormem por tanto tempo e tão ruidosamente quanto os ratinhos. A maioria dos párocos compra ou encomenda um sermão para evitar o trabalho de pensar. Isso não é uma preguiça abominável? Eles zombam dos que fazem discursos afetados, mas não ficam envergonhados ao ficar em pé para ler um sermão de outra pessoa como se fosse seu. Muitos de nossos fazendeiros não têm mais nada para fazer além de repartir o cabelo ao meio; e, em Londres, conforme me disseram, muitos dos nobres, tanto senhoras como cavalheiros, não têm ocupação melhor que matar o tempo. Atualmente, diz-se que quanto mais alto o salto, maior o tombo; da mesma forma, quanto mais importante é a pessoa, mais sua preguiça chama atenção, e mais ela deve se envergonhar dela. Não digo que elas têm obrigação de arar, mas que têm o dever de fazer alguma coisa em relação à situação, além de serem como as lagartas no repolho comem a melhor parte; ou como as borboletas que se exibem, mas não produzem mel. Não posso me irritar com essas pessoas por qualquer coisa, pois sinto pena delas, quando penso nas regras de moda estúpidas que são obrigadas a obedecer, e na vaidade com que prolongam seus dias. Eu preferiria antes vergar minhas costas com o trabalho pesado do que ser um rapaz elegante com nada para fazer além de me olhar no espelho e ver em mim mesmo um sujeito que nunca pôs uma simples batata no pote da nação, mas apenas tirou muitas. Antes despencar das montanhas de Surrey, esgotado como a velha égua marrom de meu mestre, que comer pão e queijo sem ter trabalhado para isso; é melhor ter uma morte honrosa que levar uma vida imprestável. Seria melhor entrar em meu caixão que ser um morto vivo, um homem cuja vida é uma folha em branco.

            De qualquer modo, não é fácil que os preguiçosos passem impunes por todos seus esquemas porque, no fim, sempre carregam a maior parte das penas. Elas não consertam o telhado, portanto têm de construir uma nova cabana; não põem o cavalo na carroça, por isso, terão elas mesmas de puxar a carroça. Se fossem espertas, executariam bem seu trabalho, a fim de não fazê-lo duas vezes, e se esforçariam trabalhar bem enquanto estão na lida para tirar a pendência da frente. Meu conselho é: se você não gosta de trabalho pesado, comece a trabalhar com garra, execute-o e goze seu tempo de descanso.

            Eu gostaria que todas as pessoas religiosas pensassem a respeito desse assunto, pois alguns professores são surpreendentemente preguiçosos e, com isso, fornecem um material lamentável para a língua dos ímpios.

            Penso que um lavrador religioso deve ser o melhor homem no campo, e não deve permitir que nenhum grupo o derrote. Quando estamos trabalhando, temos o dever de estar com a atenção no trabalho e não podemos parar para conversar, mesmo que a conversa seja sobre religião. Do contrário, não apenas roubamos de nosso empregador o nosso próprio tempo, como também o tempo dos cavalos. Eu costumo ouvir pessoas dizerem: "Nunca pare o arado para matar um rato", da mesma forma, é uma tolice parar para bater papo; além disso, um homem que desperdiça o tempo, quando o patrão está ausente é um bajulador, o que considero o oposto de ser cristão. Se alguns dos membros de nossa congregação fossem um pouco mais ágeis com os braços e as pernas quando trabalham e um pouco menos ativos com as línguas, falariam mais sobre religião do que falam agora. O povo diz que o maior enganador é o mais devoto, eu fico constrangido em afirmar que um dos maiores preguiçosos que conheço é um homem que se declara abertamente um falante. Seu jardim está tão coberto de ervas daninhas que por pouco não tomo a iniciativa de capiná-lo para ele. Se ele fosse mais jovem, conversaria com ele a respeito disso para livrar nosso grupo da vergonha que ele acarreta sobre nós e a fim de orientá-lo melhor, mas quem pode ser professor de uma criança de sessenta anos? Ele é um espinho constante para o nosso amável pastor, que anda muito aflito com isso e diz muitas vezes que tem vontade de ir para outro lugar porque não consegue lidar com essa conduta; mas eu digo-lhe que em qualquer lugar que viva sempre encontrará um arbusto espinhoso perto de sua porta, e será uma benção se não encontrar dois.

            Contudo, eu gostaria que todos os cristãos fossem diligentes, pois a religião jamais teve por desígnio que nos tornássemos preguiçosos. Jesus foi um grande trabalhador e seus discípulos não tinham medo de trabalhar duro.

            Da mesma forma, tem muito disso no servir ao Senhor com o coração frio e a alma preguiçosa, além de fazer a religião definhar. Os homens cavalgam quando caçam para ganhar algo, mas são lerdos quando estão a caminho do céu. Os pregadores continuam a vacilar e a falar de forma monótona, em uma verdadeira lenga-lenga, e o povo começa a bocejar, cruzar os braços e a dizer que, por isso, Deus está recusando a bênção. Todo preguiçoso maldiz sua sorte quando se vê incluído grupo dos esfarrapados; e algumas igrejas aprenderam esse mesmo artifício pernicioso. Eu acredito que quando Paulo planta, e Apolo rega, Deus faz crescer, e não tenho paciência com os que põem a culpa em Deus, quando eles são os culpados. Agora esgotei todos os meus recursos. Receio ter falado em vão, mas fiz o melhor que pude, nem um rei poderia fazer mais. Uma formiga nunca produzirá mel se não trabalhar com o coração, e eu jamais exporei meus pensamentos de forma tão bela como alguns escrevem um livro de sucesso; mas a verdade é a verdade mesmo vestida de chita e, assim, chego ao fim de toda essa história.
Extraído do livro “Sabedoria Bíblica – Conselhos simples para pessoas simples” de autoria de Charles H. Spurgeon

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

SINCRETISMO EVANGÉLICO?!



SINCRETISMO EVANGÉLICO?!
O mundo precisa de Cristo. Quem se importa com as almas perdidas?



Hoje em dia ouvimos muitas mensagens nas rádios, na TV, na Internet e nos púlpitos de nossas igrejas e em muitas delas o que ouvimos chega a ser degradante (para usarmos uma palavra menos grosseira). Presenciamos isso com muita clareza em 2018 no período que antecedeu às últimas eleições em nosso país.
Multiplicaram-se informações desencontradas transmitidas pelas diversas mídias eletrônicas – as chamadas Fake News – e muitas vezes, se não tomássemos o devido cuidado, acabaríamos divulgando informações inverídicas.
Conheço pessoas que se indispuseram com amigos e familiares simplesmente por não concordarem com as ideias dos adversários políticos de seu candidato. Infelizmente, isso acabou ocorrendo comigo quando, quebrando uma de minhas regras neste quesito, decidi tecer alguns comentários em uma de minhas redes sociais sobre a liberação de um condenado e o comportamento inercial do atual presidente da República Federativa do Brasil ao qual elegemos simplesmente para impedir que o partido do condenado voltasse ao poder.
Não são poucas as mensagens que recebo com denúncias sobre políticos, pastores e igrejas. Tenho adotado o seguinte procedimento (não digo que seja o mais apropriado, apenas é o que normalmente utilizo): tomo conhecimento e me reservo o direito de não repassar as informações recebidas. Penso que agindo assim acabo evitando dissabores maiores, como o ocorrido recentemente ou de ficar me retratando ou acusando indevidamente pessoas ou instituições que seriam inocentes, pelo menos nos casos mencionados.
            Podem me acusar de omisso nessa questão. Eu não me importo.  Vivemos em um país democrático e com liberdade de expressão e pensamento. Aos que pensarem assim a meu respeito, peço suas orações em meu favor.
            Às vezes recebo uma mensagem altamente espiritual pela manhã e no mesmo dia, o mesmo contato me envia outro com denúncias sobre partidos políticos e seus membros; links para um vídeo de acidente automobilístico, da morte de um marginal ou de alguma vítima de balas perdidas..., e coisas assim.            Ao final do dia, depois de receber mensagens tão variadas, não sei bem se o meu contato é “tão” espiritual ou “tão” mundano: “tão” ligado nas coisas do Espírito ou “tão” ligado com as questões físicas, materiais ou sociopolíticas que fazem parte do nosso dia a dia.
            Creio que devemos denunciar os abusos. Não critico quem age assim, apenas prefiro não me envolver nessas questões que, no meu caso especifico não me edificam em nada e nem ajudam a me tornar um cristão melhor.
            As falcatruas, omissões e irresponsabilidades governamentais existem, sempre existiram e vão continuar existindo, e todos sabem disso e não venham tentar me dizer que o melhor é votar em nossos “irmãos” evangélicos, pois sendo “tementes” a Deus eles farão o melhor possível pelo povo de Deus e pela causa do Evangelho.
            Nem vou entrar no mérito dessa questão. Basta verificar a medíocre atuação de nossos “irmãos” na política nacional e constatar que na sua grande maioria eles também são, desculpe a expressão, “farinha do mesmo saco” que os corruptos que estão nos gabinetes de todas as esferas governamentais, participando dos mesmos golpes financeiros e manipulações que é melhor nem comentar.
            Para muitos, o pastoreio das igrejas locais não representa mais o chamado de Deus para suas vidas, agora eles precisam demonstrar os seus “talentos” em cargos eletivos. E temos até “apóstolos” que se candidatam. Isso é uma vergonha para aqueles que dizem ter tido um chamado real de Deus para o ministério pastoral. Pobres ovelhas que são conduzidas por esses “homens de Deus”, pois eles apenas apascentam-se a si mesmos e a seus familiares.
            Preocupa-me ver que, atualmente, uma grande parcela do povo de Deus está mais preocupada com as ruas de ouro prometidas no Livro do Apocalipse, do que alcançar vidas para Jesus, mas ainda prefiro a minha parte em vidas alcançadas para o Senhor. De que nos adianta andar em ruas de ouro se não tivermos quem nos acompanhe?
            Mas apesar de crer dessa maneira, busco alertar a todos no tocante a terem uma vida integra e temente ao Senhor, como se o dia do Seu retorno fosse hoje.
            Sei que não sou o único a pensar dessa maneira. Seria muita pretensão pensar assim. Assim como muitos que não se dobraram diante de “Baal” nos tempos do Profeta Elias, temos hoje em dia muitos irmãos e irmãs que não se dobram diante das dificuldades e perigos e procuram cumprir o IDE de Jesus (Mc 16.15) até mesmo com o preço da própria vida.
            Assim como eles, meu coração também sangra, e muito, pelas almas perdidas, não apenas por aquelas que se encontram em lugares onde há perseguição declarada aos cristãos, mas choro também e principalmente pelos que moram à nossa volta, na nossa “Jerusalém”.
            Você deve estar se perguntando: “Mas o que essa introdução tem a ver com “Sincretismo Evangélico”?”.
            Tudo eu repondo! Muitos estão seguindo diretamente para o Inferno sem que ouçam uma única palavra que os alerte acerca da necessidade da Salvação em Jesus Cristo. Quando ouvem, ela se direciona apenas às conquistas financeiras, a restauração da saúde ou até mesmo ao retorno de algum amor que se foi e agora se encontra em outros braços; disse conquistas porque aquilo que eles (esses pregadores e seus seguidores) chamam de bênçãos, podem muitas vezes não passar de pratos de lentilhas oferecidos pelo Inimigo aos que se deleitam nesses prazeres, pois estão sempre envoltas na necessidade da troca financeira. A “bênção” está diretamente ligada à quantidade de “ofertas voluntárias” concedidas. O Senhor os julgue na medida de seus “méritos”.
            Para alcançarem seus escusos interesses, esses líderes são capazes de praticar um verdadeiro sincretismo religioso que em nosso caso podemos chamar de “sincretismo evangélico”. Vendem o que podem e praticam o que podemos chamar com tristeza no coração, de “boacumba”, pois trouxeram para dentro de nossas igrejas práticas que eram apresentadas apenas nos terreiros de umbanda dentre outras seitas anímicas que pululam pelos quatro cantos do Brasil.
            Ao longo da maior parte do Antigo Testamento vemos que práticas pagãs eram comuns no meio do povo de Deus e foi esse o principal motivo dos juízos divinos contra Israel e contra Judá. Ao lermos, principalmente os profetas menores: Oseias, Joel, Amós, entre outros – não apenas eles – fica evidente essa situação. Para eles, essas práticas ficam ainda mais claras, pois a rebeldia dos judeus em relação à Palavra de Deus e o prazer com que adoravam outros deuses e se entregavam a eles, mesmo diante dos alertas divinos era impressionante.
            Infelizmente, em nossos dias estamos vivendo algo parecido e com um agravante: para o povo da Antiga Aliança as manifestações do Messias eram apenas sombras do que viria acontecer quando ele se revelasse, ao passo que na Nova Aliança sabemos perfeitamente como Jesus veio a esse mundo para salvá-lo e como deixou expresso em Sua Palavra o que de fato acontecerá quando voltar para levar (resgatar) o Seu povo, para com Ele viver eternamente.
            A Palavra de Deus nos diz que “o mundo jaz no maligno” (I Jo 5.19) e vemos o espelho disso em nosso país. Quer saber quando isso acontece?
            1) Quando a apresentação de um filme – “Nosso Lar” –  mostrando uma falsa realidade do mundo espiritual alcançou recordes de bilheteria e de arrecadação, sendo visto por mais de 1 milhão de espectadores em apenas cinco dias de apresentação e foi até cogitada a possibilidade de apresentá-lo como o representante do cinema nacional para concorrer ao Oscar daquele ano;
            2) Quando pseudos pastores se arvoram no direito de serem chamados “apóstolos” e mobilizam multidões sem fim para suas marchas que buscam elevar o próprio ego;
            3) Quando pseudos missionários levantam impérios e fortunas incalculáveis sem manter um único missionário que seja e em cujas igrejas a palavra evangelismo é coisa ultrapassada, faz parte de um vocabulário esquecido; o que importa de fato é distribuir seus carnês de associados que visam financiar os programas “evangelísticos” na TV, e é claro, os carros de luxo e os aviõezinhos particulares que os ajudam na melhor ”propagação” do Reino de Deus;
            4) Quando pseudos homens de Deus buscam construir templos suntuosos que fariam o Templo construído pelo rei Salomão ficar parecido com as barracas de lona que os verdadeiros evangelistas norte-americanos montavam há 50, 60 anos atrás em nossas praças públicas pregando única e exclusivamente a mensagem de Salvação que há em Jesus Cristo.
            5) Quando um pseudo homem de Deus (sem entrarmos em maiores detalhes sobre a construção da réplica do Templo de Salomão e dos filmes sobre a vida do líder “espiritual” dessa entidade religiosa que só é aceita como evangélica por algumas denominações e lideranças evangélicas por ter entre os seus “fundamentos” que a Bíblia é sua regra de fé e de prática) ilude seus fieis com falsas promessas de prosperidade caso passem pelos seus “vales de sal”, comprem suas “águas do rio Jordão” e agora artigos judaicos ligados ao “templo”, como se fossem práticas bíblicas. Na verdade, faz do sincretismo religioso (evangélico) a sua maior propaganda. Não bastasse toda essa distorção intencional da Palavra de Deus ainda tem ao lado desta aberração arquitetônica, uma loja para vender seus souveniers: menorás, talit (chalé de oração judaico), mezuzás, etc., semelhantemente às Igrejas Católicas com seus santinhos e imagens.
            6) Quando o liberalismo vem tomando conta de muitas igrejas, antes compromissadas com a Palavra de Deus e hoje, reféns das novidades de alguns líderes que desejam transformar essas igrejas em extensão dos locais mundanos que frequentavam ou continuam frequentando, alegando, que assim agem para alcançar as almas, mas na verdade não passam de mentirosos como os descritos ao longo de toda a Bíblia, pois tratam as coisas de Deus como se fossem mundanas e as coisas espirituais como se nada fossem. Isso sem falarmos nos dons espirituais garantidos aos crentes, que para esses adeptos do liberalismo teológico não passam de emocionalismo barato, aceitos apenas para os incultos que não “conhecem” a Bíblia como eles.

            O mundo não precisa de sincretismo evangélico, contemplação de suntuosas construções ou satisfazer a vaidade dos líderes evangélicos atuais. O que o mundo de fato precisa é da salvação que há somente em Cristo Jesus.
            Não importa que as Escrituras nos digam que as coisas irão piorar e que a maioria dos homens irá para o Inferno. Aos que amam a Verdade que há em Cristo Jesus essas coisas não importam. O que importa são as almas que conseguimos tirar das garras do diabo. Dia após dia devemos “saquear” a antessala do Inferno que se chama planeta terra, tirando das mãos do Inimigo quantas almas conseguirmos.
            Em minha pobre opinião, essa é a atitude de todo cristão autêntico, o que passa disso, desculpe o linguajar, é conversa fiada, conversa “para boi dormir”.
            Vivemos nesse mundo, mas não fazemos parte dele. Temos nossos compromissos, responsabilidades, deveres e direitos sociais, mas o nosso principal compromisso é com a Palavra de Deus e com a pregação do genuíno Evangelho a todas as criaturas, como nos ORDENOU o Senhor Jesus para fazermos.
            Mensagem de Deus que não conduz à busca de santificação ou não passa pelo Sacrifício do Senhor Jesus na Cruz do Calvário, não é mensagem de Deus é texto de autoajuda e a Bíblia não é um livro de autoajuda, é a mensagem de um Deus amoroso e misericordioso que não mediu “esforços” para salvar e resgatar o que se havia perdido: eu você e toda a humanidade, e para isso não poupou seu Único Filho, preferindo antes entregá-Lo para morrer pelos nossos pecados e assim permitir que novamente pudéssemos ter acesso à Sua presença.
            Precisamos voltar ao Evangelho Puro o mais brevemente possível, pois se continuarmos da maneira em que estamos, de fato o Senhor voltará brevemente e muitos que poderiam ter alcançado a salvação acabarão perecendo no Inferno por nossa única e exclusiva culpa.
            Que o Senhor continue nos dando graça para realizarmos a obra que depositou em nossas mãos e nos dê ousadia e intrepidez para anunciar a Sua Palavra a todos que nos cercam e que cruzem o nosso caminho sem invencionices ou preocupação em desagradar os que pensem e agem diferentemente, crendo que a Bíblia não passa de um livro como outro qualquer e não como a genuína Palavra de Deus.
            O mundo não precisa de sincretismo religioso. O mundo precisa de Jesus Cristo e o Reino de Deus, de almas resgatadas para Ele!
            Sempre juntos em Jesus.
            Antonio Carlos da Cunha, aprendiz de servo.


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