sábado, 2 de outubro de 2021

Projeto Procurando os Perdidos. Quem somos e a que nos propomos.


Projeto Procurando os Perdidos.
Quem somos e a que nos propomos.



QUEM SOMOS

            Converti-me ao Evangelho em 1994 e nesse mesmo ano iniciei meus estudos teológicos no Seminário Teológico Batista Nacional. Formei-me Bacharel em Teologia em 1997, sendo inclusive orador da minha turma.
            Desde a minha conversão participei da liderança da Igreja na qual congreguei por dezoito anos. Duas atividades falavam mais alto ao meu coração: Oração e Evangelização.
            Por volta do ano 2.000, por razões profissionais, eu viajava por diversos Estados e nunca faltaram oportunidades para declarar Jesus às pessoas com as quais eu mantinha contato.
            O desejo de ampliar meu campo de ação aumentou bastante quando tomei contato mais íntimo com a Internet. Era o período dos Blogs e acreditei que essa seria uma oportunidade para alcançar mais vidas e propagar com mais eficácia e velocidade a mensagem salvadora de Jesus Cristo. Em 2007 criei o blog “Procurando os Perdidos” e através dele pudemos alcançar vidas e expandir nossa área de atuação até o Campo Missionário. Nesse período enviávamos nossos pedidos de orações e de ajuda missionária através de e-mails.       Foi nesse período que adquirimos nosso primeiro domínio na Web.
            Os contatos foram aumentando na medida em que as pessoas alcançadas divulgavam nossos pedidos para amigos, parentes e irmãos das Igrejas que contatávamos. O trabalho tomou uma dimensão maior que esperávamos para o momento, pois não dispúnhamos de recursos financeiros nem a colaboração da Igreja. Os esforços ficavam a cargo de duas pessoas: Eu e meu amado irmão Serginho, que desde o início foi um dos maiores incentivadores desse Projeto.
            Em 2010 decidimos aumentar o número de informações a serem divulgadas. O Blog era insuficiente para atingir os objetivos propostos e em razão disso surgiu o “Informativo Procurando os Perdidos”. Nele poderíamos não apenas pedir orações pela Igreja Perseguida e pelos Povos Não Alcançados, mas também divulgar o trabalho de missionários ligados a algumas agências e Juntas missionárias.
            Lembro-me de que na época, alguns ironizavam nosso trabalho, dizendo que só um louco ou fanático se disporia a elaborar um Informativo semanal e distribuí-lo a aproximadamente 4.000 contatos espalhados por diversos países. Felizmente essa “loucura” colaborou bastante para a divulgação de alguns trabalhos que hoje se solidificaram e deram os frutos desejados.
            Infelizmente, apesar de nossos sinceros desejos de colaborar com o Campo missionário, acabamos abrindo mão desse expediente. Embora ainda mantivéssemos contato com alguns missionários, os Informativos pararam de ser elaborados e divulgados.
            Hoje conseguimos nos reestruturar para fazer valer o que proferimos em nosso discurso de formatura e que consta na íntegra na sessão “Testemunho Cristão” desse Informativo: “Hoje principiamos uma nova fase do aprendizado, pois temos diante de nós o desafio do trabalho na obra da evangelização. O tempo é agora! A ordem expressa do Senhor aos seus servos é: levem ao homem pecador a mensagem salvadora da cruz. Aquele que nos chama continua clamando: A quem enviarei? Que o próprio Deus nos dê graça para que respondamos: Eis-me aqui, envia-me a mim”.
            O Projeto Procurando os Perdidos surgiu no coração de Deus e cremos que se transformará em uma ferramenta para colaborar com o campo missionário e com evangelização urbana.
            Existem quatro maneiras de se cumprir a ordenança do “Ide” de Jesus:
            1- Indo para o campo missionário, seja ele local ou transcultural;
            2- Orando por aqueles que atenderam o chamado para a evangelização e por aqueles que serão alcançados por ela;
            3- Contribuindo para a manutenção dos obreiros e dos necessitados que se converteram ao Senhor; e
            4- Divulgando de todas as maneiras possíveis, quer sejam feitas de forma pessoal ou virtual.
            Um ministério de intercessão e colaboração missionária não tem que necessariamente estar vinculado à alguma denominação ou Igreja local. Entendemos que as pessoas responsáveis devem estar sob a direção e a cobertura espiritual de um pastor e seguimos à risca esse entendimento. Sendo interdenominacional, o Projeto tem liberdade para colaborar com missionários de diversas agências, Igrejas ou Juntas missionárias e isso contribui para que não haja embaraços no momento de contribuir com os que mais necessitam: os missionários e os convertidos.
            Hoje, transpusemos mais um degrau na escala da visão que o Senhor nos concedeu. A partir deste momento, o Projeto Procurando os Perdidos não se limitará apenas em interceder em orações pelo Campo Missionário ou distribuir seus folhetos evangelísticos na evangelização urbana, mas empenhará prioritariamente todos os seus esforços para colaborar com o Projeto Kunhimela com sede em Maputo – Moçambique, mantido pelos missionários Lízias Cabral Filho e Alessandra Lacerda.
            Por que escolhemos o Projeto Kunhimela para nos envolvermos com mais intensidade?
            Em primeiro lugar porque acabou sendo resposta de oração e também porque conhecemos não apenas o Projeto Kunhimela, mas os seus responsáveis há quase uma década. Sabemos do comprometimento, da abnegação e da resiliência empregadas para que o mesmo chegasse onde está.
            A partir deste Informativo teremos uma seção exclusiva para as informações referentes ao Projeto Kunhimela e em breve estaremos publicando uma Edição Especial contando a história, as lutas, as superações e as vitórias alcançadas.
            O mundo jaz no maligno e é nossa obrigação como servos do Senhor, cumprir com nosso dever: usar de todos os meios disponíveis para propagar a mensagem salvadora do Evangelho e para alcançar vidas para o Reino.
            O tempo urge! A hora é agora! Não menosprezemos o chamado do Senhor. Arregacemos as mangas e partamos para o trabalho. O campo precisa ser semeado.           
            Façamos a nossa parte!

INFORMATIVO PROCURANDO OS PERDIDOS

            Semanalmente elaboramos um Informativo que tem por objetivo:
            1- Organizar um grupo de orações intercessórias pelo Campo Missionário em todas as suas ações: Igreja Perseguida, Povos não Alcançados, Igrejas Sofredoras, Missionários, Líderes que necessitem de uma intervenção divina para exercer seus ministérios e relevantes situações pessoais dos irmãos;
            2. Divulgar o trabalho Missionário desenvolvido pelos missionários Lízias Cabral Filho e Alessandra Lacerda através do Projeto Kunhimela, localizado na cidade de Matola, província de Maputo, Moçambique- África;
            3. Desenvolver uma conscientização no seio das Igrejas para a necessidade de colaborar efetivamente com Missões quer sejam locais ou transculturais.

A QUE NOS PROPOMOS

            Nossa caminhada cristã nos impulsiona a ampliarmos as nossas tendas.
            Continuaremos intensificando nossa busca para formar grupos de orações pelos diversos Campos Missionários: Igreja Perseguida, Povos não alcançados, Missionários e Ministérios ligados às diversas Juntas Missionárias.
            Estaremos atuando em duas frentes principais: Evangelização Urbana em parceria com as Igrejas locais, e Missões transculturais com ênfase no trabalho infantil através do Projeto Kunhimela.
            Entendemos que em determinadas regiões onde a resistência à Evangelização por parte dos adultos for muito intensa, a mesma pode iniciar-se através das crianças. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. (Pv 22.6), ensina-nos a Palavra de Deus, a Bíblia. Nunca nos esqueçamos de que Ela é e tem sempre a resposta para tudo e é, portanto a melhor orientação para o que buscarmos.
            Esse é o caso enfrentado pelos Missionários Lízias e Alessandra, e os obreiros do Projeto Kunhimela.             A resistência por parte dos adultos é muito grande, mas nesses anos todos estão conseguindo formar uma geração de crianças que no futuro estabelecerá um novo tempo para a região onde residem.
            Kunhimela, é uma palavra da língua changana que significa "ESPERANÇA".
            Esperança é o que nosso coração deseja transmitir a partir de iniciativas que fomentem oportunidade de um futuro para as famílias moçambicanas atendidas por esse projeto.
            Há mais de oito anos desenvolvemos atividades em apoio à população carente nos mais diversos âmbitos, destacamos:
- reforço escolar;
- Alimentação;
- Teoria e prática musical (violão, teclado e canto);
- Artes (pintura, costura e artesanatos);
- Inglês;
- Esportes (jiu-jítsu e futebol);
- Palestras e atividades em apoio à comunidade (encontro de família, dia de lazer, promoção de higiene oral, bazar de novos e usados entre outros).
Todas essas atividades são realizadas nas dependências da igreja, onde temos os nossos cultos evangelísticos, discipulado, escola bíblica dominical e atendimento pastoral.
O PROJETO ESPERANÇA é uma iniciativa sem fins lucrativos e precisa de apoio financeiro para que continuemos a desenvolver as atividades já realizadas bem como ampliar as oportunidades já oferecidas. Por essa razão a sua colaboração é imprescindível para que outras crianças também aprendam a sorrir e enxergar um futuro melhor. Seja um de nossos agentes da esperança e abrace essa causa!

FORMAS DE COLABORAR
            Existem diversas formas de colaborar financeiramente com o Projeto Kunhimela, através do Projeto Procurando os Perdidos.
            a) Doações para trabalhos específicos como é o caso da campanha “Adote uma criança”.
            Nessa modalidade, o doador efetua um único depósito bancário para aquisição do material escolar de uma criança matriculada no Projeto.
            b) Tornar-se Padrinho.
            Ao “apadrinhar” uma criança matriculada no Projeto Kunhimela, o padrinho efetuara depósitos regulares para colaborar na manutenção desta criança.
            c) Tornar-se um Mantenedor.
            Doações regulares que visam não apenas o sustento e a cobertura das necessidades dos missionários e obreiros envolvidos no Projeto, mas também levantar recursos para ampliar a área de ajuda, não apenas para as crianças matriculadas, mas também para os necessitados das imediações. Igreja fora dos portões deve ser sempre praticada por aqueles que desejam alcançar vidas para o Reino.
            d) Compra de livros e folhetos evangelísticos
            O Projeto Procurando os Perdidos disponibiliza diversos títulos para folhetos e livros em forma de e-book ou impressos.
            Ao adquirir esses produtos, o lucro dos mesmos é destinado para ampliar a área de atuação do Projeto, objetivando estruturá-lo a fim de que o mesmo promova cursos, palestras e workshops com o fim específico de orientar, preparar, discutir e conscientizar Igrejas e seus membros em relação à necessidade da Evangelização local e transcultural.

QUE VALORES DOAR

            As doações serão determinadas pelo doador, exceção feita ao caso do “Adote uma criança” elencada no item “a” das “formas de colaborar”, onde o valor é anunciado nos materiais promocionais do Projeto Kunhimela. O valor varia de um período escolar para outro em razão da flutuação do mercado para esses produtos.

COMPROMETIMENTO FINANCEIRO

            É importante que o doador conscientize-se da necessidade da sua doação. Ao oferecer-se como padrinho ou mantenedor do Projeto Kunhimela, isso faz com que os responsáveis pelo Projeto organizem suas frentes de trabalho, contando com a entrada daqueles recursos. Temos notícias de diversos missionários que em muitas ocasiões tiraram do próprio sustento para não permitir que a obra parasse ou que o trabalho planejado não se realizasse. A não realização de um trabalho agendado por um projeto missionário ou Igreja local pode gerar insegurança quanto ao comprometimento dos envolvidos e isso poderá fatalmente levar a uma diminuição daqueles que são assistidos e orientados pelo Projeto.
            Quem se propõe no coração ajudar na Obra Missionária, não pode negligenciar sua decisão, pois muitas pessoas e situações dependem dessa contribuição para continuar existindo. Comprometimento financeiro com a Obra Missionária mostra maturidade, desprendimento e acima de tudo: amor pelas almas que se perdem.
            Lembremo-nos de que a Obra de evangelização foi dada a todos nós que fomos alcançados pela mensagem salvadora da cruz do calvário, mas o nosso impedimento para realizá-la não pode servir de justificativa para que não colaboremos com aqueles que receberam o chamado, largaram tudo para trás, se prepararam e se dispuseram a enfrentar os desafios, perigos e incertezas que cabiam a cada um de nós.
            Olhemos para os missionários e seus projetos com amor e não menosprezemos a oportunidade que o Senhor nos oferece para servir.
            Colabore com alegria.
            Envolva-se com amor.
            Ore com fervor.
            Divulgue e arrebanhe almas e mantenedores com dedicação.
            Que o Senhor possa estar sempre conosco, nos dando sabedoria, entendimento, desprendimento e comprometimento com a Obra Missionária.
            Sempre juntos em Jesus
            Antonio Carlos, aprendiz de servo.

INFORMATIVO PROCURANDO OS PERDIDOS- APRESENTAÇÃO

INFORMATIVO PROCURANDO OS PERDIDOS


Apresentação
Graça e paz a todos!
Há cerca de oito anos disponibilizamos o nosso primeiro número do Informativo semanal do “Projeto Procurando os Perdidos” e com ele procurávamos, além de manter os irmãos informados sobre os motivos de oração da semana, evitar o envio diário de e-mails, pois alguns de nossos contatos estavam recebendo-os como se fossem “SPAM”. Na época não dispúnhamos de tantas redes sociais e facilidades para nos comunicarmos e o meio mais prático era através de E-mails.
Atualmente iremos disponibilizá-los para Download em formato PDF no Site/Blog do Projeto. Lembrando sempre que é gratuito.
Nosso objetivo era e ainda é fazer do Informativo um meio de divulgação dos campos missionários espalhados pelo mundo, buscando conscientizar cada vez mais a Igreja local da necessidade de não apenas orar pelos missionários e suas famílias, mas também de contribuir para que eles possam continuar atuando nos locais para onde foram enviados.
Estamos retomando esse trabalho de divulgação e conscientização das necessidades e da urgência para se cumprir o IDE de Jesus.
Desejamos que o Informativo seja também um local de comunicação dos missionários que nos acompanharem. Aqui vocês poderão divulgar suas Cartas de Oração e necessidades.
Nosso intuito é melhorá-lo cada vez mais, fazendo com que se torne mais prático e completo, sendo assim, aceitamos as sugestões que irmãos mais capacitados na área de comunicação possam nos dar. Elas serão sempre bem vindas!
Estamos estudando a possibilidade de publicá-lo semanalmente, sempre aos domingos, com os motivos de oração para a semana. Nele você encontrará um “CALENDÁRIO PARA AS ORAÇÕES DA SEMANA”, contendo apenas os nomes das localidades, pastores e missionários pelos quais devemos orar, e para aqueles que desejarem conhecer mais profundamente os locais e a situação da Igreja Perseguida e dos Povos não alcançados, poderão fazê-lo, bastando apenas que consultem a página informada abaixo do nome do país para saber em que paginado Informativo se encontram os dados para o país/povo a ser consultado. Como sempre fazemos, nossa principal fonte de pesquisa para a Igreja Perseguida é o site da Missão Portas Abertas. Nele buscamos os dados sobre a Igreja na localidade, notícias atuais, prisioneiros cristãos no país e dados gerais sobre ele.
Em relação aos Povos não alcançados, dispomos de arquivos que estão sendo atualizados, pois o site no qual buscávamos as informações foi tirado do ar.
Informamos que os links disponibilizados nos Informativos antigos podem estar desatualizados, como é o caso do nosso domínio que agora passou a conter “.br”. Sendo assim, deverão acrescentar “.com.br” no endereço.
Sua opinião sobre o novo formato será muito importante, por isso envie sua opinião/sugestão para o e-mail: contato@procurandoosperdidos.com.br.
Continuem nos ajudando em oração.
Que o Senhor abençoe grandemente a cada um.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo

sábado, 25 de setembro de 2021

Será que estamos levando a sério o Evangelho do Senhor Jesus?

  


A cada dia que passa nos deparamos com uma forma de Cristianismo ou de pregação do Evangelho, cada vez mais espelhada nos moldes mundanos e distanciadas do que realmente a Palavra de Deus nos ensina e nos exorta a viver.
As frases de efeito relacionadas com a Palavra de Deus estão por toda parte. São verdadeiros tratados de marketing, dignos de mentes altamente capacitadas, para atrair a atenção daqueles que as leem.
É comum vermos nas ruas, carros com adesivos alusivos ao que Deus fez ou costuma fazer para aqueles que O seguem:
“ DEUS É FIEL!”
“ PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE JESUS!”
“ A SERVIÇO DO REI JESUS”
“ TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
“ PRESENTE DE DEUS”
Seria melhor pararmos por aqui, mas há uma que li pela primeira vez hoje quando estava retornando para minha casa e estava estampada com letras garrafais no vidro traseiro de um carro, novinho em folha é claro, e que me levou a escrever esse artigo. Diz o cartaz: “O SEGREDO DO MEU SUCESSO É JESUS”.
Não é de hoje o meu caminhar com o Senhor, e apesar de me considerar um eterno “aprendiz de servo do Senhor Jesus Cristo”, já vi muitas coisas nessa trajetória, e infelizmente verei muitas ainda, mas o que estão fazendo com a Palavra de Deus chega a ser decepcionante, para não termos de usar aqui algum termo mais adequado para alguém que usa da Palavra com tanto desdém, infantilidade e menosprezo, mercantilizando essa Palavra tão preciosa, e ainda têm a capacidade de aporem o nome do Senhor Jesus na maioria desses adesivos.
É impressionante o fato de nunca termos visto esses adesivos afixados nos carrinhos dos catadores de papel ou de outros materiais recicláveis, mas na sua maioria em carros novos e ao lado do logotipo de empresas, como a dizer que a empresa é abençoada porque os donos são crentes, mas muitas vezes esses mesmos donos participam de negociatas para verem vendidos os seus produtos, comercializam mercadorias sem a emissão de notas fiscais e por aí vai.
 Não estamos aqui para fazer apologia à pobreza e à miséria, como se para sermos cristãos verdadeiros tivéssemos que passar por necessidades materiais, mesmo porque a Palavra de Deus garante o Seu cuidado para com aqueles que a Ele se entregam sinceramente.
Queremos deixar aqui nossa indignação porque na maioria das vezes esses “propagandistas” ou “garotos (as) propaganda” que adesiva seus veículos com esses dizeres, nem ao menos conhecem a Palavra do Deus que eles garantem lhes deu aquele bem, que muitas vezes também, nem pago está, e que, não poucas vezes foram comprados “pela fé” como dizem alguns sem o saberem como os pagarão. O importante é ostentar, mostrarem-se aos outros como sendo vitoriosos, ou seja: viverem o que não são, viverem de aparências.
Se voltarmos um pouco no tempo vamos constatar que ser cristão era um verdadeiro desafio e não um hobbie como muitos acreditam hoje em dia. Porque para muitos, hoje em dia, é até chique se dizer cristão, evangélico, “gospel”, porque ao contrário de nossos antepassados na fé, que eram tratados como pessoas incultas - muitas até mesmo analfabetas -, hoje são as pessoas cultas e bem vestidas que frequentam as igrejas evangélicas, com seus carrões último tipo.
Vamos analisar os textos colocados fora de contexto:

“DEUS É FIEL!”
Sim Deus é fiel e poderoso para nos dar tudo aquilo que estiver em Seu coração para nossa vida, mas Deus é fiel só por que nos deu aquele bem no qual afixamos o adesivo?
Quando negociamos de forma desonesta e afixamos o cartaz na entrada de nossa empresa ou comércio estamos sendo fiéis a Deus e à sua Palavra?
Se viermos a perder o negócio por uma falha administrativa, Deus passará a ser infiel? (que Ele tenha misericórdia, até por o mencionarmos um absurdo desses).

“PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE JESUS!” e “A SERVIÇO DO REI JESUS”
Se o carro é propriedade exclusiva de Jesus porquê o motorista o está usando?
Se é propriedade exclusiva de Jesus como o seu usuário pode vendê-lo para adquirir outro?
Se é propriedade exclusiva de Jesus como pode haver carros com busca e apreensão, se Jesus é o dono do ouro e da prata?
 Se é propriedade exclusiva de Jesus como ele pode ser usado para uma função que nada tem a ver com a preparação do Reino de Deus? Não deveria ser utilizado exclusivamente na obra de Deus, já que o adesivo diz que ele está “a serviço do Rei Jesus”?

“TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
Esse texto se bem aplicado é uma bênção para todos quantos o conhecem, mas será que é conhecido por todos aqueles que o leem? Será que os que o leem sabem quem o pronunciou ou em quais circunstâncias?
Sabem o contexto desse versículo? Sabem das lutas enfrentadas e narradas na Carta aos Filipenses Capítulo 4. Estariam dispostos a passar pelos mesmos dissabores e ainda assim declarar “Posso todas as coisas naquele que me fortalece?
Frases esparsas muitas vezes não atingem o objetivo esperado.

“PRESENTE DE DEUS”
Será que somente os crentes em Jesus Cristo conseguem adquirir bens nesse mundo ou mesmo entender que eles foram presentes de Deus?
Por volta do inicio dos anos 90 eram comum frases como:
“ JESUS MUDOU MEU VIVER”
“ DISSE JESUS: EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA”
“ VIDA PRECIOSA A BORDO”
“ JESUS TE AMA”
Não quero dizer que esses adesivos não são mais colocados em muitos veículos ou até mesmo em alguns locais, mas não são tão frequentes quanto os citados anteriormente, porque não causam nenhum efeito no que diz respeito à conquista de bens materiais, mas dizem respeito a coisas espirituais e ao perfil de seu ocupante.
Certa feita, assistindo a um Telejornal da manhã havia uma reportagem em um shopping e a repórter estava em frente a uma loja qualquer e havia uma frase escrita na vitrine “DEUS NÃO PODE ESTAR EM TODO LUGAR POR ISSO EXISTEM AS MÃES”. A repórter perguntou para uma mulher que estava em frente à loja: “O que você acha dessa frase?” A mulher respondeu: “PERFEITA”. Nem é preciso comentar muito. Se a pessoa acredita que Deus não pode estar em todo lugar é porque ela com certeza não conhece nada sobre Ele (quem teve a péssima ideia da frase ou o que pode ser mais acertado: ela ( mulher que respondeu à repórter? nem prestou atenção no que realmente estava escrito e se pronunciou a respeito sem nem mesmo analisar o que diria.
A Palavra de Deus nos adverte em Deuteronômio 5:11: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”
Muitos poderão dizer que não tenho o direito de julgar o procedimento dos que assim procedem, mas quero dizer a esses que assim entendem que quem os julga é a Palavra de Deus e quando a Palavra de Deus não está sendo empregada em algo que edifique e até mesmo chegue a ser ridicularizada, que Deus tenha misericórdia, nós, como cristãos que procuramos viver e anunciar essa Palavra temos, não o direito, mas o dever de repreender os que assim procedem para que se voltem para a Palavra de Deus.
Preferimos nem comentar os que usam textos bíblicos para tatuarem seus corpos, e muitos até mesmo envolvidos em crimes e tráfico de drogas, como aconteceu com um assaltante que foi preso e tinha tatuado o começo do salmo 23 “O Senhor é meu Pastor”.
Precisamos nos apresentar como obreiros aprovados como disse Paulo a Timóteo:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2.15)
Quando fomos alcançados pela graça remidora do Senhor Jesus Cristo passamos a viver uma nova realidade: que é a de fazer parte de uma família espiritual que vai morar com Ele eternamente nos céus, em um local que Ele nos preparou.
Se desejarmos fazer alguma “propaganda” do que Deus realizou em nossas vidas devemos fazê-la para engrandecer-Lhe o nome e isso se faz cumprindo Sua ordem dada em Marcos 16.15-18 quando nos ordenou claramente: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.”
Que sinais seguirão aos que creem:
Terão o melhor carro?
Terão a melhor casa do bairro?
Terão a maior conta bancária?
Não passarão por nenhuma dificuldade? Coitados dos Missionários e de suas famílias...
Não sofrerão perseguição? Procurem conhecer a vida do apóstolo Paulo e de tantos homens e mulheres de Deus que têm morrido por amor ao evangelho na Igreja perseguida em nossos dias.
Não terão nenhuma enfermidade?

Jesus nos consola com essas Palavras:
“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mateus 6.25-34)

‘Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16.33)

            Reflitamos no foi escrito e respondamos a nós mesmos as seguintes perguntas:

1)    Será que estamos levando a sério o Evangelho do Senhor Jesus Cristo ou estamos levando a vida como ela quer nos levar?
2)    Temos anunciado o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus ou estamos anunciando uma palavra mentirosa?
3)  Temos anunciado uma Palavra do Poder de Deus para a Salvação (Romanos 1.16) ou um evangelho de resultados macroeconômicos?
4)    O que temos anunciado fará com que nossos ouvintes sejam recebidos no Céu ou continuem destinados ao Inferno?
5)   Você acredita realmente que todo cristão deve ser “cabeça” e não “cauda” e por isso deve obter mais bênçãos materiais que os demais? Se acredita, aconselho que leia melhor a Palavra de Deus e busque um entendimento correto da mesma.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e que possamos seguir as pegadas do Apóstolo Paulo (esse sim Apóstolo e mesmo assim se achava indigno do "título"):
“Porque vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera; mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta. Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.” (I Tessalonicenses 2.1-6)


Antonio Carlos, aprendiz de servo

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

NOTA DE ESCLARECIMENTO - Como me vejo na obra de Deus



Nota de esclarecimento:
Como me vejo na obra de Deus.

            Graça e paz!
Em razão do considerável número de pessoas que têm me seguido pelas diversas redes sociais que administro e das Revistas que disponibilizava mensalmente através do Projeto Procurando os Perdidos, preciso esclarecer alguns pontos que para muitos possam parecer de somenos importância, mas que para mim são de imenso valor pessoal.
            Não poucas vezes me vi impulsionado a criticar a posição adotada por alguns líderes cristãos que não satisfeitos com o título de pastor ou pastora, por conta própria, e em alguns casos apoiados por seus liderados, decidiram intitular-se “apóstolos” e “apóstolas”.
            Desnecessário mencionar novamente que os que adotaram esse sistema ou preferiram andar por esse caminho de pura vaidade, não encontram embasamento bíblico para isso. Mas esse meu posicionamento servirá apenas de pano de fundo para o que escrevo a seguir.
            Com todo ser humano, algumas coisas me incomodam mais e outras menos, mas uma das que me incomodam profundamente é quando recebo títulos de que não me acho merecedor, por essa razão decidi tornar público esse incômodo.
            Pelo fato de eu ter me bacharelado em Teologia em um Seminário Batista, ter escrito alguns livros com temas teológicos, participar como cooperador digital de atividades missionárias na Igreja em que congrego ou por editar e disponibilizar mensalmente uma Revista Teológica, muitas pessoas, carinhosamente ou até mesmo pelo fato da minha formação teológica, decidiram me chamar de pastor ou homem de Deus em muitas de minhas postagens ou mensagens via Whatsapp.
            Quero agradecer a todos que carinhosamente assim me intitulam, apesar de eu sempre ter negado a ambos os títulos.
Todavia, venho esclarecer porque os nego: simplesmente porque não sou nem uma coisa nem outra: não sou pastor e nem me considero homem de Deus, pois ambos os títulos carregam em si uma carga de santificação e comprometimento com a obra de Deus que nem de longe eu tenho.
O que faço para a obra missionária, não se relaciona a projeção pessoal, mas o faço simplesmente por três motivos que se interligam:
1) Amor a Deus;
2) Reconhecer o esforço de abnegados missionários que pessoalmente conheço ou de Agências Missionárias que reputo sérias e comprometidas com a ordenança de Jesus em relação ao IDE, procurando, na medida do possível, colaborar com eles, divulgando as atividades de seus projetos;
3) Alcançar os perdidos que não conhecem a Cristo.

Não sou mais um pregador de púlpito. Meu tempo nesse tipo de divulgação do Evangelho já passou e se no passado fui ou não aproveitado ou se eu mesmo o negligenciei isso não vem ao caso neste momento. Certo é que não me acho à altura deste propósito divino. Existem muitos irmãos que se dedicam a esse chamado.
Não sendo pastor, homem de Deus ou pregador, o que de fato me considero? Aprendiz de servo, como assino em todas as minhas publicações ou simplesmente mais um filho de Deus, graça essa, alcançada pela misericórdia divina.
Definitivamente, não precisamos de títulos para servir a Deus dentro ou fora da igreja local. Para Deus, importa mais o que fazemos e não do nos rotulam.

Diante de tudo que expus, gostaria encarecidamente de pedir a todos os meus amigos (as) que não utilizem mais esses títulos em relação a mim, use-os apenas àqueles que de fato o merecem.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo

domingo, 5 de abril de 2020

Pessach Judaica e a Páscoa Cristã! O que elas podem nos ensinar?

Esse ano, particularmente as datas coincidiram: os últimos dias da Páscoa judaica (Pessach) serão intercalados pelo dia em que a Cristandade comemora o domingo de Páscoa (12/abril).
Para muitos, as datas não têm nenhuma relação entre si, mas analisando com calma podemos verificar que existem muitas semelhanças e simbologias que apontam, pelo menos no meu humilde entendimento, para a Pessoa e a Obra Redentora do nosso Senhor Jesus Cristo e gostaria de deixar claro que não tenho por objetivo estabelecer nenhum estudo teológico, mas simplesmente procurar identificar, através dos símbolos e características que existem entre as duas datas, que eles nos levam a confirmar o grande amor e a infinita misericórdia de Deus por cada um de nós.
Durante 430 anos o povo hebreu residiu no Egito, sendo que na maior parte desse período viveu em regime de escravidão. A Palavra de Deus nos mostra que ao sentirem o peso que aquela situação estava gerando, principalmente no que dizia respeito à incerteza no futuro, começaram a clamar a Deus em busca de alívio ou quem sabe da própria libertação daquele jugo cruel.

Talvez no coração daquele povo oprimido, o simples fato de serem reconhecidos como seres humanos por parte das autoridades e do povo egípcio já seria suficiente para fazer deles pessoas mais felizes.

Quantos de nós não nos sentimos assim às vezes?
Quantos de nós não almejamos ao menos um pouco de simpatia por parte dos que nos rodeiam? Nem precisa ser aquela simpatia “melosa”, onde ficam nos elogiando e valorizando o tempo inteiro. Para muitos de nós, apenas um olhar carregado de amor e uma mão estendida em sinal de ajuda já seriam mais que suficientes para mostrar que somos importantes não pelo que possuímos, mas pelo que somos: Seres humanos, formados à imagem e semelhança de Deus, que a todos ama indistintamente.
Quantas pessoas passam por essa vida sem ao menos se sentirem amadas ou quem sabe, notadas por alguém?
Aquele povo sentia-se assim: desamparado e perdido em meio a tanto sofrimento, e Deus, ouvindo o seu clamor e “entendendo” que estava na hora de receberem o livramento tão esperado levantou um homem, criado como filho da filha de Faraó, mas que carregava em suas veias e em seu coração o sangue e a esperança de uma nação em formação. Esse homem chamava-se Moisés. Destinado à morte pelos homens em seu nascimento, fora preservado pela mão protetora do Senhor para, há Seu tempo, livrar o povo hebreu do jugo da escravidão a que estavam destinados desde o momento em que o povo daquela nação (Egito) começou a olhar para eles com desprezo e inveja por presenciarem as bênçãos que recebiam Daquele que buscavam como sendo o Deus Único, que havia feito um pacto com seus antepassados, os patriarcas, e que havia dito a Abraão que faria de sua descendência uma numerosa nação.

Verdadeiramente aquele povo tinha motivos para acreditar no livramento, mas quantos realmente criam que ele viria algum dia? Afinal, toda aquela geração havia suportado o peso da escravidão e talvez nem soubesse viver em liberdade, pois ela traria em seu bojo a responsabilidade pessoal e coletiva pelos atos praticados.
Todos conhecem a maravilhosa narrativa do livramento que Deus concedeu ao povo hebreu. Desde a saída gloriosa do Egito, até a abertura do mar Vermelho, ante os olhos estupefatos de todos aqueles que confiaram nas palavras de Moisés e nas manifestações de Poder exibidas pelo Senhor diante de Faraó e de seus comandados.
Para o povo judeu, esse dia Santo celebra, certamente, o mais importante evento de sua história, pois representa a redenção de sua escravidão no Egito e a sua saída rumo à terra da promessa.
Aquele povo, assim que se viu livre das garras de seus algozes, celebrou com jubilo o grande livramento concedido pelo Senhor.

Na festa de Pessach alguns símbolos são colocados sobre a mesa de refeições que une toda a família. É o momento de contar toda a história desse grande livramento e das recomendações para que nunca deixem de reproduzi-la principalmente para as crianças.
Sobre a mesa são colocados os seguintes ingredientes, dispostos sobre três matzot (plural de Matzá (pão não fermentado) que representam o Povo Judeu em sua totalidade – a de cima representa os Cohanim (sacerdotes), a do meio os Leviim (levitas) e as de baixo os Israelim (povo) – e os Sefaradim (Judeus espanhóis) as colocam em cima da parte superior da bandeja e os Ashquenazim (Judeus alemães) costumam colocá-las na parte inferior da mesma.

Zero’á ou Zeroá – que significa braço, em hebraico, simboliza o Braço poderoso com que Deus tirou o povo hebreu do Egito. Representando o Corban Pessach – isto é, o cordeiro que se oferecia no Templo na véspera de Pessach, é colocado no canto superior, à direita. Os sefaradim costumam usar um “braço” de cordeiro ou vitela, enquanto os ashquenazim, um osso da perna, asa ou pescoço de frango, mas pode-se usar qualquer osso tostado com carne.

Beitzá ou Betsá: Ovo cozido, colocado no canto superior da bandeja, à esquerda, lembra o Corban Chaguigá, o segundo sacrifício oferecido em Erev Pessach. Usa-se o ovo, tradicional símbolo de luto, como sinal de tristeza pela destruição do Templo Sagrado de Jerusalém.

Maror: Erva amarga, colocada no centro da bandeja, simboliza a amargura e o sofrimento impostos aos judeus, enquanto escravos no Egito. Costuma-se usar uma verdura amarga, como escarola ou alface romana. Pode-se usar também outro tipo de alface ou endívia. Os ashquenazim usam a raiz forte (chrein).

Charoset: Mistura de nozes, amêndoas, tâmaras, maçãs, canela e vinho. Cada família deve prepará-la segundo seu costume. Coloca-se à direita, na bandeja. Representa a argamassa usada pelos judeus na construção das edificações do Faraó e o trabalho pesado a que eram obrigados.

Karpas ou Carpas: Salsão, colocado no quadrante inferior esquerdo da bandeja. Lembra o hissopo (Ezov), usado pelos Filhos de Israel para aspergir sangue nos batentes das suas casas, antes da praga dos primogênitos. Os ashquenazim usam salsinha, cebola ou batata. Essa verdura introduz o tema principal do Êxodo – a liberdade. Molha-se a verdura em água salgada ou vinagre, como lembrança das lágrimas derramadas e do suor incessante e calor causticante durante o trabalho escravo.

Chazéret – Costuma-se usar alface romana colocada na bandeja abaixo do Maror.

Além disso, fora da Keará (bandeja), colocam-se sobre a mesa:
- Um recipiente com água salgada, no qual se mergulham as verduras, para lembrar o mar.
- Uma taça para cada um dos representantes, contendo, cada taça, no mínimo 86ml de vinho (valor numérico de Cós, copo).

Para o povo judeu, Pessach significa o livramento humano concedido por Deus ao povo escolhido, mas para nós, cristãos, a Páscoa significa muito mais que um livramento físico, trata-se de um livramento espiritual que estende-se por toda a eternidade.
A Palavra de Deus nos mostra em Gálatas 4.4-7 que: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”
À semelhança do povo judeu, todos nós, também estávamos sob o extenuante jugo e suportávamos o peso da escravidão do pecado que nos corroía por dentro e que nos distanciava cada vez mais do relacionamento divino.
Para nós que vivíamos agarrados às ofertas de prazeres oferecidos pelo mundo que nos cerca e que nos conduziam a abismos espirituais cada vez mais profundos, sem que muitas vezes nos apercebêssemos, o fogo abrasador do afastamento divino, consequência do pecado original, era infinitamente superior ao calor produzido pelos fornos utilizados para a confecção dos tijolos que aquele povo era obrigado a produzir para seus senhores no Egito.
Nossos corpos ardiam pelos prazeres pecaminosos, mas nossa alma se petrificava dia a dia e nosso coração, que em frangalhos, buscava em vão por momentos de refrigério. Quantos questionamentos não nos vinham à mente sem que soubéssemos de onde se originavam... Sabíamos que no momento em que estivéssemos à sós nossa visão da vida e satisfação pelos prazeres obtidos não seriam os mesmos. Havia um hiato entre o nosso presente e nosso futuro. Éramos náufragos em nós mesmos.
Quando olhamos para nossas vidas antes de nosso encontro pessoal com o Senhor Jesus, podemos nos transportar para aqueles momentos terríveis pelos quais passavam nossos irmãos judeus.
Quando Deus olhou para o sofrimento que aquele povo passava, contemplou toda a humanidade, quer estivessem residindo naquela poderosa nação, quer estivessem abrigados ou desabrigados no menor pedaço de terra no mais distante território desse mundo.
Deus amou e continua amando o povo judeu, mas João nos mostra que o Seu amor era e é muito mais amplo, quando diz que: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.16,17)
Quando Deus decidiu preservar Moisés para que libertasse um povo e o transformasse em uma nação sacerdotal, Ele estava olhando para cada um de nós e no momento certo, quando as condições humanas estivessem favoráveis para que Seu “plano” fosse colocado em ação, enviaria o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, para completar a obra que nenhum profeta por mais poderoso, humilde e dedicado que fosse poderia realizar: Salvar o ser humano e dar-lhe livre acesso à Sua presença gloriosa, e essa tarefa não poderia ser realizada por ninguém que fosse gerado em pecado, mas deveria ser concretizada por alguém que não apresentasse mácula alguma, que fosse revestido de autoridade espiritual para passar por esse mundo, vivendo as mesmas dificuldades e vicissitudes a que todo ser humano está sujeito, para que em vivendo assim, pudesse mostrar a todos nós que é possível viver uma vida reta e santa, apesar das evidências colocadas pelos homens serem contrárias.

Somente uma pessoa poderia realizar essa maravilhosa Obra de Redenção, não apenas física e temporal, mas espiritual e eterna: Jesus Cristo, o Verbo encarnado; a mais pura manifestação do infinito amor de Deus por suas criaturas.
Jesus passou por esse mundo e teve as mesmas dificuldades que todos nós temos: Foi desprezado e humilhado; perseguido e maltratado; rejeitado por aqueles que se diziam amigos e companheiros; abandonado por aqueles que nem um de nós acreditaria que pudessem fazê-lo; foi considerado como escória e por pregar e viver intensamente o amor de Deus foi considerado culpado e conduzido à morte para que se cumprissem as Escrituras.
Aquela sexta-feira que precedia o shabat era também a preparação para Pessach, o primeiro dia da celebração da festa.
No dia anterior todas as famílias judias haviam retirado de suas casas todos os alimentos fermentados, para que durante as festividades, não houvessem alimentos considerados impuros, mas naquele que seria o dia em que a família se reuniria em torno da mesa para contar a história do livramento material que Deus concedera aos seus antepassados, naquele mesmo dia, estavam crucificando Aquele que os havia libertado com mão forte do Egito e que agora viera cumprir o propósito daquele livramento, resgatando em Si mesmo, não apenas aquelas famílias que festejam em suas casas, mas toda a humanidade.
Aquela sexta-feira para nós e shabat para eles, representou um instante de sofrimento e dor inaudita, mas ao terceiro dia, no domingo, que a Cristandade festeja como sendo a Páscoa Cristã, Ele ressurgiu dos mortos para completar definitivamente a Sua Obra. Ele havia carregado sobre os ombros estirados naquele madeiro o pecado de toda a humanidade e a partir daquele momento concedeu a cada um que acreditasse naquela manifestação divina a oportunidade para que pudesse novamente se reconciliar com o Pai.
Ele não deixou escrito que deveríamos comemorar essa data com alimentos simbolizando as passagens adversas que tivemos em nossas vidas pecadoras, mas deixou-nos uma ordenança que mostra o quanto Ele ama, não apenas a nós que já O reconhecemos com Senhor e Salvador, mas o amor que nutri por todos quantos ainda não tiveram esse entendimento e que ainda jazem sob o jugo da escravidão do pecado e da morte espiritual. Ele disse: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.” (Jo 15.12-17)

E seguindo as ordens de Jesus, devemos compreender e demonstrar o Seu amor por toda a humanidade, mostrando que o dia de Pessach (livramento físico) e o dia da Páscoa (ressurreição espiritual) são todos os dias. Seguindo a orientação de Paulo a Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tm 4.2-4), e  “...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15,16)

Que o Senhor Jesus nos dê um coração amoroso e compassivo, que identifique em nossos irmãos não apenas a necessidade de um livramento físico e material da escravidão das dificuldades que a vida apresenta (Pessach), mas principalmente, que Ele nos ajude a identificar em nossos próprios corações a necessidade de livrar nossos irmãos da escravidão do pecado e da morte espiritual (Páscoa).
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos, aprendiz de servo.


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